terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Coração em luto


Acabei de acordar agoniada, às cinco da manhã, depois de um sonho com você. A sensação que tenho é de que isso tudo não passa de um pesadelo. Mas ao contrário do que costuma ser quando se acorda, acordei e descobri que o pesadelo era real. E que, realmente, você não estava mais aqui.
Percebi, então, que até os pernilongos me amam mais do que você. Pois eles cantam para mim e você, não mais.
Juro que nunca pensei que fosse doer tanto! É como a perda física de um ente querido. Mas,ainda assim, a dor seria menor a qual estou sentindo. Pois sei que você está tão perto de mim, e tão longe eu estou dos seus sentimentos.
Uma das mais dolorosas despedidas foi a nossa, naquela noite em que eu senti você em meus braços e deixei-te partir, não havendo mais nada a fazer. Perdi minhas forças, faltaram palavras para dizer-te algo. Tamanha era a saudade que eu já sentia de você.
Saber que outra pessoa o terá, sentirá seu corpo, os seus lábios e será a dona do seu coração me faz refletir e perceber quão substituível é o ser humano. Eu não só sei que outra pessoa o terá, como tenho a certeza que agora isso acontece.
Faço um grande esforço para não pensar nos momentos a dois. Tamanha é a dor que, de momento, é como se eu não a suportasse.
Não, eu ainda não chorei. É como se as minhas lágrimas secassem antes mesmo de caírem dos olhos e percorrerem incessantemente a minha face. Tudo está preso dentro de mim, um emaranhado de mágoa tão extremo que deixou-me em estado de choque: Sem reação, talvez.
Olho sempre pelo caminho que ando e você não está mais nele.
Logo eu, que estava manipulando meu coração para não amar, amei. O resultado disso? Acho que já posso chamar de amor platônico. Não é?
Fechei meu coração de começo, pensei melhor... Resolvi entregar-lhe as chaves para abrir a porta, entrar e cuidar bem dele, que é tão bobo para o amor. Quando dei-me conta, vi o abandono, encontrei meu coração arrebentado e em pedaços. De súbito, comecei a remendá-lo, faltaram curativos, faltou você.
Não sinto raiva, não o julgo por nada. Lhe agradeço pelos momentos que passamos juntos. Porém, no momento, estou de luto. Luto para que essa dor vá-se embora e tudo volte como era antes. Sem amor, sem me deixar levar pelos sentimentos e reaprender a continuar sem você.
Ontem fui conversar em particular com Deus, pois no início senti raiva por tal situação. Mas ele me mostrou que perdoar e deixar tudo o que me prejudica para trás, é mais libertador do que o sentimento de revolta. Ajoelhei-me, pedi para ele te iluminar, guiar teus passos. Pois sei que você é um homem bom e nada fez por mal.
Há tantas coisas em mim que você tampouco entenderia e não entende. Há coisas em mim que você nem descobriu, não deu tempo. Não deu tempo de lhe mostrar tudo o que eu queria que visse e que soubesse. Agora sei que será tudo diferente, ela lhe mostrará e não deixará espaço para a dúvida. Do pouco que consegui expressar, ela expressará com todos os gestos e letras de que você precisa.
Sentimento + eu = não combina. Não combina dividi-lo. A regra é amar sozinha, como um castigo, quissá.
Hoje, apenas duas horas eu dormi. Tem sido difícil fechar os olhos, tenho medo de não acordar mais. Mas o que seria mais assustador depois de perder você?
Do pouco que ficamos juntos, aprendi muita coisa ao seu lado, até a amar. Infelizmente você não teve a paciência de me compreender que aos poucos eu iria lhe mostrar como estou ficando boa no assunto. Não deu tempo, mais uma vez.
O tempo... É ele quem mais ajudará a cicatrizar o meu ferimento. Peço apenas que seja rápido, que seja breve. Ô dorzinha mais tenebrosa!
Sinto dores de cabeça, perdi a fome, estou cansada, estou com sono e não posso dormir. Mas estou sem você.
Decidi, há pouco, cuidar de mim e de meus afazeres. Comprei um cadeado novo, tranquei a porta do meu coração. Troquei a madeira por ferro, para não correr o risco de alguém arrombá-la.
As prioridades são outras, os pensamentos mudaram. E os sentimentos? Que sentimentos? Aos poucos os manipulo para que não venham a me enganar. Eu, que nunca manipulei alguém, acho que posso fazer isso a mim mesma...
Lembra da rosa que você me deu? Das rosas, aliás. Elas nunca morrerão em mim, estão vivas na lembrança.
Já sinto falta da sua família maravilhosa. Você sabe mais do que ninguém a sorte que tem em tê-la (espero que saiba). Ah, Meu Deus, caiu a primeira lágrima, a segunda, a terceira, milhões delas. Ta doendo, ta doendo muito! Por quê? Por que dói tanto assim? Agora você não está mais aqui pra me abraçar e dizer que está tudo bem. Não está mais aqui pra dizer que vai passar e que você não vai deixar nenhum mal me acontecer. Agora quem vai cuidar de mim? Tão boba que sou.
As lágrimas insistem em desaguar por entre meus lábios. As sinto salgadas, as sinto amargas como essa dor.
Tenho vontade de pedir pra você dizer Adeus em meu nome pra toda a sua família, tão amada que é. Ai, meus olhos estão embaçados, estou quase pondo-me a soluçar. Mas no silêncio da aurora só ouço os pássaros cantarem. É o sabiá que você tanto odeia, lembra?
Seco minhas lágrimas e tento abafar a dor no travesseiro para que ninguém ouça. Mas que dor é essa, Meu Deus?
Faz três dias depois do fim, só agora veio à tona a dor que não aparecia em pranto e lágrimas.
Lembro quando a tua irmã disse pra você não me fazer sofrer. Que amada, que anjo!
Tenho vontade de visitá-los quando você não estiver lá, não sei se devo, sinto como se fosse incomodar.
Ás vezes acho que nunca chorei tanto como agora, e não lembro de tamanha dor.
Esqueci de lhe avisar que sempre me preocupei tanto em não me doar por tal amor, pois sei muito bem do tanto que sinto, da minha sensibilidade exacerbada.
Como você desconhece tamanha fragilidade, meu "ponto fraco", levou-me a correr o risco. Mas que amor é esse? Que amor é esse que me consome a alma e contorce minhas entranhas? Vou me ocupar em algo, porque às vezes acho que será difícil suportar. Na sua frente sou forte, a dor não verá. Em meu quarto, no silêncio da noite, até os mosquitos silenciam ao me verem chorar.
Desejo que a sua vida seja maravilhosa e peço para que os anjos estejam sempre ao lado da sua família. Pois tamanho é o carinho que sinto, que levarei sempre comigo, mesmo distante.
Cuida bem desse coração, viu? É uma das nossas maiores dádivas, o amor. Deixa que sozinha eu me viro. vou rezando para manter o sorriso e o brilho nos olhos que quase cessou.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Acatalepsia


Não sei amar apenas pelo sentimento em si. Eu sinto cada detalhe, cada gesto, cada olhar, cada sorriso. Eu sinto calafrios. Meu corpo se aquece ao seu lado. Mas também é frio, é inverno, é gelado. Pois a cada provocação que vem até mim é como se me contorcesse a alma e o coração. Não sei ao certo o que sinto, alguns chamam de amor, eu chamo de acatalepsia. Pois do mesmo modo que amo, incompreendo.
É como estar na adolescência. Uma hora se ama, outra hora sente raiva. Ao passo que também fere, é doído como uma agulha fincada por debaixo da unha.
Nunca fui uma pessoa comum nem muito normal. Sou dotada de sensibilidade exacerbada que me engrandece muitas vezes, da mesma forma que também me encolhe a ponto de quase me fazer sumir ou até enlouquecer.
Gosto do inusitado, do novo, do exagero, da confusão. Mas tudo dentro do seu limite, do limite do corpo em harmonia com a alma.
Foi ao acaso que você chegou e sem que me tomasse conta, descobri que estava havendo uma espécie de furacão de sentimentos dentro do meu coração acobardado. Foi como um aglutinado de sensações e contorções. Assim como as sinapses cerebrais, tudo estava se conectando rapidamente por todo o meu corpo. A cada toque seu, como de súbito, sinto emoções extremas. É então que anseio por um coração análgico.
Não sei muito do amor, tão sublime como dizem. Sempre foi a minha maneira. Da forma que amei nunca foi a mais correta e tranquila. Por vezes amei sozinha, por vezes nem amei.
Esse coração mentecapto não sabe amar, tampouco entendo porque insiste em tal sentimento. Tão profundo e complexo é o amor, tão viril para alguns e néscio para outros.
Deixe-me em paz se tem a intenção de ferir minh'alma, tão "indubitável" és tu que mal me defendo de mim mesma.
Sua vida é de abundante liberdade. Tão lindo e amável tu és que consegue tudo que queres, das mais belas às mais incríveis mulheres.
Deixe-me com esse amor que me viro, viro do avesso, reviro, e transfiro. Troco por outro sentimento, outra sensação, outro nome.
Não se preocupe em entender-me, deixe estar e siga o caminho que deve ser, da forma que deverá seguir o curso do destino de nós dois. Não importa que sejam traçados diferentes, no mapa da vida, no destino desses corações tão insapientes que muito tens a aprender.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O tempo


Sinto que o tempo tem passado depressa e isso me assusta.
O tempo da minha infância era calmo, leve e tranquilo. As horas passavam tão devagar que dava tempo pra brincar de casinha, de barbie, ir na vizinha, jogar bola na rua, brincar com os cachorros e fazer travessuras.
Hoje o tempo voa, permitindo-me ver o dia virar noite em um piscar de olhos; ver os meus entes queridos serem marcados pelos anos que escorrem nos dedos como areia.
O tempo é tão tempo que pensando no tempo o tempo me devora e me persegue. Tempo que me envelhece, deixando-me sem saída, proporcionando-me despedidas. E me arruma cada uma que só com o tempo mesmo pra esquecer.
O tic tac do relógio me intimida, me padece. Quem foi que inventou o bendito? Dito tempo, esse que passa corrido e não espera quando eu preciso. Por que tão insensível, oh tempo? Sua mãe deveria ter lhe ensinado a humildade em alguns momentos.
Mas vamos lá, o tempo merece que eu cite algumas de suas qualidades.
- O tempo cura a dor de um amor partido
- Embeleza aquele que cresce e que um dia foi feio.
- Faz com que possamos conhecer novas pessoas, lugares, destinos e encontremos soluções.
- O tempo nos deixa sábios, nos amadurece e ensina a viver.
Queria eu poder parar o tempo só por um instante. Voltar alguns anos e ver de novo quem eu nunca mais verei. Voltar nos momentos inesquecíveis e que hoje apenas ficaram na lembrança.
Ah, o tempo. Senhor das horas, das datas e dos momentos. Passe mais devagar pra que eu não me perca no tempo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O reecontro na primavera


Hoje, como de súbito, lembrei-me de uma jaboticabeira aos fundos do meu quintal. Tão farta ela estava que, mais do que rapidamente, escamoteei um punhado de suas graciosas frutas, tão vigentes.
Em seguida, lembrei dos purungos que comprei numa viagem que fiz para o Rio Grande do Sul em Janeiro deste ano. Apressadamente fui olhá-los na esperança de encontrar um ninho no purungo azul, no pé de limoeiro, foi uma sensação inexplicável a que eu senti naquele momento: olhar àquele ninho com gravetos tão milimetricamente entrelaçados numa simetria quase que perfeita...
Recordei-me do gosto que tinha por desvendar ninhos, observar os pássaros e as árvores na minha remota infância. No tempo que a minha ingenuidade era como a água cristalina da corredeira de um riozinho, que com o tempo o tornaram um pouco escuro, mas não menos ingênuo.
É a primavera, tão minha confidente e companheira, que me traz a calma que estava perdida no meio de tanta conturbação.
A natureza, minha amiga desde os tempos de "meninice", está sempre comigo, por mais que os deveres e responsabilidades de uma jovem estudante atrapalhem essa união.
Ah, como eu queria o Ser Humano tão amável e acolhedor como a minha doce natureza.
Uma prova do meu amor por ela foi que, o meu primeiro poema, singelamente a retratava.
A mãe natureza, não menos mãe que a minha mãe biológica, que me ouve com esse coraçãozinho ferido dentro de mim, me abraçou e disse: Senta aqui e acalma esse coração, minha amada, tudo vai se ajeitar. A vida é truculenta, mas também é favo de mel. Espere um pouco na sombra de uma de minhas árvores, faça tudo o que não te prejudicará e na sua convalescença esse coraçãozinho vai estar bem novamente, e muitas coisas boas entrarão no seu caminho...

Meu "eu"


É como se eu me transmutasse para escrever tudo o que se passa no meu mundo ininteligível. De repente me contorce as víceras e como em contrações as palavras viessem seguidas de um parto: um pouco doloroso e demorado, mas depois de parir como num cuspido, é como se eu amasse esse alinhamento das palavras até o fim da minha existência.
Sou frágil e ao mesmo tempo indestrutível. O que vive dentro de mim é um "quase eu" que ainda não tem nome, mas que causa profundas sensações.
Há um "eu" da curiosidade aldaz e que às vezes me deixa impaciente, me tira o sono e o equilíbrio. A paz que dentro de mim talvez vive, é quase que empurrada para fora.
Há um "eu" que me maltrata com essa vontade de amar o que ainda está por vir, com o sofrer antes do chegar. Como uma fruta posta a amadurecer antes do tempo. Não é bem amadurecer a palavra que combina comigo, mas foi a que chegou mais perto.
Não posso me esquecer do meu "eu" que sente quando não deve e que não sente quando deve sentir. É a confusão do meu coração e a inquietude da alma. O atropelar das coisas, o prematuro do sentir e o inopinado do que se atravessa no meu caminho.
Por enquanto foi o que consegui descrever de alguns dos meus vários "eus". Não são várias faces, porém, um conjunto de tudo que me forma, me transforma e faz de mim a personalidade do ser.

domingo, 7 de agosto de 2011

A melhor conversa é o meu silêncio


Noite infâme
Loucura sem medida
Pessoas de personalidade oposta a minha.
Eu sou eu: sentada a meia-luz da sala, tomando meu café e escrevendo.
Não tente me entender
Não tente me amar
Sou um mistério pra mim,
Difícil de desvendar.
O melhor carinho é o que faço em mim
O melhor ouvinte é o meu cão
A melhor conversa é o meu silêncio
Eu guardo lembranças, eu coleciono momentos.
Às vezes prefiro a solidão
Louca? Não.
Loucos são esses que caem na indecência da madrugada.
Eu analiso, eu tiro conclusões.
Observo cada detalhe de várias aptidões.
Na ocasião do meu acalanto, eu chamo, eu clamo, eu não amo, eu engano.
Se é pra amar por partes, ter sentimentos por momentos, eu prefiro ser indiferente e amar a companhia do ausente.
Não sou feita pra durar um momento, o meu negócio é a longo prazo.
Suma da minha frente; outro, outrém.
Me acostumei com o abandono, com o ninguém.
Meus devaneios, minha sina, minha inata mania do pensar diferente.
Eu vivo hoje, mas guardo para sempre.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Espelho


Afinal, o que é um espelho?
Espelho de vidro, espelho de cristal, espelho da alma, espelho de classe, espelho para o irmão, para o próximo...
Conselho, exemplo, imagem.
O quê?
Espelho em que eu me vejo, espelho quebrado dá azar, espelho pra tentar melhorar.
Espelho velho, espelho para enfeite, espelho sem utilidade.
Estilhaços ao chão.
Espelho sem culpa da raiva de alguém.
Espelho que está presente nos contos de fadas.
Espelho da vida...
Semelhança, igualdade.
Susto?
A falta de um, é um desespero para uma mulher.
Tão essencial, aliado da beleza, da magreza, vilão da ditadura da beleza, ou não.
Espelho, espelho meu...
Sem visão não adianta espelho.
Espelho pra beleza interior? NÃO!
Espelho sem sentimento
Rival do desleixo.
Embaçado em dias de chuva, na tempestade de um coração.
Espelho do carro, espelho de mão; do banheiro, do quarto, da sala de televisão.
Quantos espelhos você tem em casa?
"Se olha no espelho, seu imbecíl"
Coitado do espelho,
É a rotina da imprevisão...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O barquinho de papel


No meio do oceano havia um barquinho de papel.
Esse barquinho era sozinho, não existiam outros barquinhos, apenas uns de passagem que logo afastavam-se dele.
No meio do oceano havia um barquinho de papel que enfrentava tempestades, tsunamis, tubarões... Mas sempre voltava mais forte a cada dificuldade.
Esse barquinho nunca reclamava das noites frias e solitárias.
Esse barquinho sabia que, se esperasse, viria o resgate.
Depois de anos sozinho, não veio o resgate. Mas o barquinho conseguiu encontrar, com a sua persistência, o verdadeiro raio de sol, a corrente certa do vento que o levaria até a praia da felicidade.
E se não fosse os anos de dificuldade, esse barquinho nunca iria saber o sabor da conquista, da vitória e da plenitude.

Recomeço daqui, vou sumir com a pobre coitada que mora dentro de mim.
É inegável dizer que no passado caí nas armadilhas mais cruéis.
E hoje eu tomei uma decisão perigosa... Que assusta algumas pessoas e que outras criticam.
Hoje eu tomei a decisão de não sentir, ser indiferente, sorrir por fora sem ter nada dentro. Um oco que me sufoca menos que a dor. Um vazio que me manterá viva até os meus últimos dias, que me fará ter mais autossuficiência.
Estou no escuro do meu corpo, na penumbra do meu coração.
Eu não vou ver o sol hoje, ele se escondeu respeitando a minha mudança.
As cicatrizes desaparecem com o tempo, pra que eu possa voltar como a imagem de uma fênix.
O meu mistério vai estar no meu olhar, vai te acompanhar e te deixar sem chão.
Mas entenda, eu não estou aberta pra prepotência.

AS lágrimas caem dos meus olhos, escorrem pelo meu rosto e desfalecem na minha boca. Tão prejudiciais como o sal, mas que ainda é essencial pra se manter.
Eu fecho os olhos, deitada em minha cama, na posição de feto, tentando me abraçar,tão minha, tão de ninguém, tão sozinha.
É essa a mulher que ninguém vê.
A mulher que renascerá das cinzas pra nunca mais ser a mesma.
O céu está estrelado e a lua está cheia - noite dos apaixonados - ironia pro meu coração, erro do destino.
Você não vale o que come e não sei como tem coragem de viver tão imundo!
Eu chorei hoje, mas na aurora eu recomeço, eu renasço e me transformo no mistério, na fortaleza que uma mulher chega ao se encontrar no topo da decepção.
A partir de hoje eu decidi ser minha, eu decidi não deixar me pertencer à outrem. Eu aprendi a ser egoísta, eu aprendi a ser fria como você, com você.

domingo, 8 de maio de 2011

Não sinto meu corpo, minha alma desfalece, meu coração geme. Eu me encontro como em um calabouço que me agride na escuridão e no frio de uma solidão sem sentido.
De que adianta o amor, se as pessoas não vivem para ele e o ignoram como um mendigo sem utilidade?
Eu sou feita de amor, mas o amor não precisa de mim. Não como eu pensava que precisava.
Minhas entranhas doem, minha pele arde como arranhões profundos que sangram e deixam cicatrizes eternas.
São os sintomas que me cometem a cada vez que deixo o amor entrar no meu peito; já tão fraco, tão machucado e usado.
Lembro-me das noites que mergulhei em lágrimas no travesseiro, tão calada, tão sozinha, tão ferida... Como entender as facetas do amor e as dores que nos causam? Como querer continuar amando, mesmo no sofrimento? Como é possível o amor fazer tão mal sendo que é tão necessário na vida? Alguns chegam a dizer que sem amor não se vive. Mas como viver quando o amor é doloroso? Quem será tão sábio e corajoso para dizer que o amor é incondicionalmente bom? As dúvidas são tantas e as respostas são subentendidas e difíceis de serem interpretadas.
Mas eu amo, porque amar me faz humana, sentir me faz capaz, saber que tenho um coração que ama é gratificante.
A minha intuição diz que o vazio é pior que a dor do amor. O que você acha? Acho que o mais certo é ainda dizer que os dois estão na mesma proporção, os dois machucam. Cada um a sua maneira.

quinta-feira, 5 de maio de 2011


Vejo a sombra de um corpo cansado.
Sinto o coração fraco do velho amante.
Ouço o canto daqueles que se iludem.
Leio os versos de corações partidos.
Sigo os rastros da felcidade.
Choro a dor da saudade.
Sorrio com a esperança que me acompanha.
Corro atrás do tempo que não me espera.
Esbravejo ao ver a injustiça.
Encorajo o ser amante e o ser amado.
Imagino o impossível, que dentro de mim é claro.
Entristeço com a tristeza do desprezado.
Vivo, como se fosse uma obrigação. Ou às vezes sinto que não há melhor razão.
Vejo, sinto, ouço, leio, sigo, choro, sorrio, corro, esbravejo, encorajo, imagino, entristeço... E é então que eu vivo, sentindo, e fazendo com que todos os dias a minha vida tenha um sentido.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Deixar você pra lá


Hoje eu estava lendo em algum lugar por aí, que dizia o seguinte: "Tenho que te deixar partir da minha vida, não vou mentir que está sendo difícil pra mim, e mesmo que os nossos caminhos nunca mais se cruzarem, vou seguir em frente feliz. Pois quando eu olhar para trás, você estará lá, fazendo parte de um momento especial do meu passado".
Foi então que eu percebi que nossos caminhos nunca se cruzaram da forma devida e que tampouco eu vou olhar para trás e ver que você fez parte de um momento especial do meu passado. Porque na realidade eu senti sozinha, eu gostei de você sozinha.
Olho para trás e vejo que me irritei, briguei, desejei, gritei... Por alguém que nem se importava, sentia indiferença e nem me ouvia. Mas eu continuava a perder tempo com algo que deixava meus objetivos cada vez mais retrógrados.
E mais uma vez a emoção tomou conta da razão...
Hoje eu não acordei com essa decisão, e mesmo tendo acordado às seis e meia da manhã, só às onze e meia é que decidi te deixar pra lá; e com isso todas as minhas emoções e sentimentos que eu prefiro chamá-los de "ervas daninhas". Pois só causam danos ao meu ver.
A única coisa boa em ser sensível é conseguir descrever o que sente, com mais intensidade. Ou talvez nem pra isso eu consiga tirar proveito.
Deixei pra lá, deixei de lado, deixei num canto.. Deixei tentar fazer com que perca o valor diante das minhas frágeis pupilas que se dilatam só de pensar em você.

domingo, 10 de abril de 2011

Homem x Natureza


Vida humana coberta por destruições.
Olhos cheios de areia, impossibilitados de enxergar.
Coração valente que hoje dá suas fracas batidas ao recuar.
Olhar perdido daquele que já não quer sonhar.
Ruas desertas tomadas pelo silêncio da morte.
Homem x natureza
É essa a história
Quem vence é o mais apto, o mais meigo que se torna avassalador.
Alguns a chamam de natureza, e outros de dor.
Não me imagino sem ela, mas diante disso, sinto medo da força que possui.
Incontáveis cadáveres substituindo o que chamávamos de "população", ou melhor, de "vida".
É estado de calamidade. É tristeza de várias nações.
Seja norte ou seja sul, sempre chega a vez de cada um.
É enxofre para os olhos
É radiação para o corpo
É vida em perigo
É sofrimento em dobro.
O homem construiu pontes que agora são muros em sua face. São saídas fechadas e o desespero de quem não sabe o que fazer.
Quem não rezava, começou a rezar
Quem não acreditava em nada, começou a acreditar
Pra se agarrar em algo que pudesse-lhes ajudar.
Pode ser cedo ou pode ser tarde, depende de que ângulo olhar
Só não se esqueça que essa guerra, homem versos natureza, pode até silenciar. Mas está longe de acabar.

terça-feira, 8 de março de 2011

reflexão


Desloco meus pensamentos em busca de uma essência, retirando meus ideais supérfluos e reunindo ideias e sonhos mais futuristas, econtrando um equilíbrio para o tempo sem tempo, em uma brisa que balança levemente meus cabelos, fazendo um leve toque em meu rosto e capaz de fazer-me refletir na pressão de sentimentos invasivos que aos poucos podem destruir a ação de meus desejos tão internos, tão ocultos, prontos para se dispersar como um gás tóxico e letal.

PS: Usei a aula de química com as reações do momento, como o vento que tava vindo da janela.

Desilusão


Um dia eu acreditei que sonhos existiam. Acreditei que iria encontrar o meu amor.
Um dia eu acreditei que o mundo era perfeito. Acreditei que não existia dor.
Mas a verdade é que coisas boas não saem da imaginação, ou simplesmente duram pouco.
Talvez eu tenha sido sonhadora demais.
E por sonhar tanto, eu cheguei a voar.
Me encontrei nas nuvens.
Só não me contaram que voar alto demais pode lhe fazer cair e que, caindo, o tombo era grande.
Guardo essa dor toda vez que caio mais um dia. É como se eu não aprendesse e tentasse voar novamente. Porque estar no chão é ruim demais pra quem já descobriu como é estar no céu.
Sinto que o meu coração grita e implora por momentos mais agradáveis e estáveis. Mas infelizmente o que tenho pra agora são as minhas lágrimas amargas.
Já não sei quando é noite ou quando é dia. Só sei que escureceu o tempo hoje.
Pode ser que amanhã o sol volte a iluminar os meus dias. O problema é que esse amanhã parece estar longe demais pra chegar.
Estou sozinha dentro de mim. Um vazio incurável e uma dor que não se cala.
Apenas ando, apenas sinto a brisa bater leve e indiferente ao meu rosto, apenas sigo. Sem saber pra onde vou, sem linha de chegada, com a incerteza do que o futuro me reservou.

Menina moça


A menina andava na rua como se não fosse ela. Era apenas um corpo em movimento, só um corpo.
Ela se sentia constrangida aos olhares das pessoas em sua direção. Era como se cada olhar fosse perigoso, indevido ou até cruel.
A menina moça se sentia feia, se sentia magra demais. E como se não bastasse, aquilo a incomodava por onde quer que fosse; no mercado, na padaria, no colégio, em festinhas... Só se sentia livre quando estava na sua casa, no seu sofá; e ninguém a via.
Se maquiar fazia parte da sua rotina de esconder a própria identidade ao sair aqui e ali. Mas aquela não era ela, aquele corpo não era dela, aquele rosto era só uma tela pintada, sem vida.
O coração da menina era intenso demais, sentia emoções inebriantes que a perturbavam. Pois sentir demais é sentir dor, é ser sensível, é sem compreensão.
Ela até pensou no amor, mas como um rapaz bonito iria se apaixonar por aquilo que ela chamava de corpo? Como o homem dos seus sonhos a olharia nos olhos e a desejaria incessantemente? Aquilo era muito sonho para o pouco que acreditava, era tão curta a esperança e os seus olhos já não eram mais de quem tinha fé. Seus olhos eram perdidos no tempo, mergulhados no vazio mais fundo que ela mesmo havia se jogado.
E quando alguém perguntava se ela era feliz? Ah, ela dizia que sim! Pois tão pouco compreenderia qualquer pessoa que visse seu sorriso, único que sabia fingir muito bem a alegria que nela nem vivia.

domingo, 6 de março de 2011


Suponho que eu tenha muito mais que ouvidos
Eu tenho um coração que ouve.
Então eu lhe peço que pense bem ao me dirigir a palavra.
Poderei guardar mágoas jamais esquecidas, ou poderei guardar eternas lembranças de doces palavras ouvidas.

Livre de regras e escolhas


Quero pertencer a um mundo que não me exige.
Ser livre como o vento que sopra na direção que mais lhe agrada
Não precisar me reprimir e nem me julgar por atos não feitos. Pelo simples gesto de querer voar sem ter obrigações.
Meu sorriso cansado com um brilho disfarçado esconde o que guardo por dentro, no meio aos sentimentos mais abafados.
Quero sentir o arrepio do que me faz bem, percorrendo sobre o meu corpo que logo se estremeceria por um sentimento de alegria.
Eu quero seguir a vida pelo caminho mais doce, mais livre e mais singelo.
Eu não quero seguir o caminho mais difícil, mais cansativo e doloroso.
Preciso me libertar e ir ao longe, olhar o horizonte do alto de um morro
Ver as coisas simples da vida e cantarolar uma canção nobre e esquecida
Venha vento, me buscar e me soprar pra direção mais bonita, em que as ruas são de rosas e a estraada é reta.
Quero ser mais EU e fazer só o que tenho vontade, eu quero gritar pro mundo a vontade de liberdade!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Amor em branco.


De repente, ela sentiu o quanto tinha medo de que o amor lhe pudesse ser fatal.
Ela mesma não tinha reparado no medo que tinha. No grande medo que tinha!
Ele veio com palavras de caráter dócil, mostrar a ela que o amor ainda pudesse ser belo.
Ela já havia prometido há muito tempo que o amor não a pegaria, e jurou tomar todas as vacinas contra esse sentimento. Mas esqueceu que ainda não existe vacina para surpresas que nos fazem amar. E ela amou a surpresa daquele homem que a provocou de forma calorosa a dar espaço ao amor.
Ela se viu forte nele, mas, ainda desconfiada. De qualquer maneira, pensou melhor na proposta dele.
Aquele homem era viril, lhe encantou logo na primeira conversa. Mas ela insistiu em enganar a si mesma de que ele não a havia encantado. Que mulher boba!
O que mais lhe admirava nele era que, de um jeito único ele sabia exatamente desafiá-la de modo que a deixasse sem uma segunda carta na manga. Isso era voráz, era tentador!
Ele tentou prometer lhe amar. Ela tentou prometer acreditar.