
É como se eu me transmutasse para escrever tudo o que se passa no meu mundo ininteligível. De repente me contorce as víceras e como em contrações as palavras viessem seguidas de um parto: um pouco doloroso e demorado, mas depois de parir como num cuspido, é como se eu amasse esse alinhamento das palavras até o fim da minha existência.
Sou frágil e ao mesmo tempo indestrutível. O que vive dentro de mim é um "quase eu" que ainda não tem nome, mas que causa profundas sensações.
Há um "eu" da curiosidade aldaz e que às vezes me deixa impaciente, me tira o sono e o equilíbrio. A paz que dentro de mim talvez vive, é quase que empurrada para fora.
Há um "eu" que me maltrata com essa vontade de amar o que ainda está por vir, com o sofrer antes do chegar. Como uma fruta posta a amadurecer antes do tempo. Não é bem amadurecer a palavra que combina comigo, mas foi a que chegou mais perto.
Não posso me esquecer do meu "eu" que sente quando não deve e que não sente quando deve sentir. É a confusão do meu coração e a inquietude da alma. O atropelar das coisas, o prematuro do sentir e o inopinado do que se atravessa no meu caminho.
Por enquanto foi o que consegui descrever de alguns dos meus vários "eus". Não são várias faces, porém, um conjunto de tudo que me forma, me transforma e faz de mim a personalidade do ser.
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