quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Síndrome da chuva.

Nas tardes chuvosas penso em você. Na verdade nem sei por que penso. Não sei a distinção entre o real e o irreal. Meus pensamentos entrelaçam os sentimentos como se fossem um só, porém, um grande emaranhado de confusão. E o que eu sinto por ti? Eu não sei, eu não sei. Na verdade até acho que sei, todavia nunca me permiti admitir que o que sinto por você vai além do tempo e é mais forte do que imagino.
  O imaginário é tão doce para mim que prefiro sonhar deitada na sala de estar, enquanto o tempo corre. Não tenho vontade de me mexer, tão pouco agir para que algo de real possa acontecer. Então me dou conta que sonhar não machuca. Será isso medo das decepções? A psicologia poderia explicar melhor esse devaneio. Como nada sei nem procuro uma sessão de terapia, eu deito e eu mesma faço a minha própria reflexão. Na verdade acho que mal sei pensar.
  Como posso saber o que é o amor? Amar é pensar em alguém num dia que chove? Amar é pensar até quando o sol está brilhando lá fora? Amar é quando ouço os pássaros cantarem e no mesmo instante eu gostaria que a pessoa estivesse ali do meu lado?
  Como posso me consultar com pessoas que nem sequer sabem o que é amar? Será que isso pode ser ensinado nos livros? Será que podem mesmo dar conselhos e instruírem alguém sem nem sequer terem sentido o amor?
  Começo a achar que sou a minha própria terapia. Que meus devaneios amadurecem a pessoa que existe dentro do meu ser. E quando olho para a rua na noite de natal, vejo casais com as mãos entrelaçadas, tenho vontade de estar com você. Será isso mesmo o amor? Ou é loucura da mente? Especialistas acham que sabem explicar o que quero desvendar em mim. Não, eles não sabem. Como podem saber? Só ousem opinar se vocês sentem algo assim, entenderam?
 Vivo em constante estado febril de amor. Quando não amo, não vivo. Se não amo alguém, amo a idealização de um sentimento. Será isso fácil de ser compreendido? Ou será loucura como a de Friedrich Nietzsche?
  Coração que ama é coração cheio de histórias intensas para contar. É coração que sabe como extrair sentimentos de momentos até insignificantes. Ainda acho que isso é mal de quem escreve ou mal de quem sente. Talvez uma síndrome já descoberta? Volto a dizer que a psicologia poderia explicar melhor tal devaneio. Mas será mesmo?
 Sabe, estar feliz o tempo todo nem é tão legal assim. Sofrer de amor vez em quando faz bem para o coração, ensina a chegar mais perto do amor sublime. Ah, o amor... Sentimento que vem tirando o sono de milhares de pessoas todos os dias - e dos especialistas também.

 

sábado, 1 de dezembro de 2012

A calma que procuro não se encontra em nenhum olhar.
Dos olhos que olhei, me senti invadida e roubada de mim.
Da essência da minha verdadeira face só eu sei.
A vida às vezes tem sido como uma comida requentada: Sem o mesmo sabor de quando feita.
O silêncio das noites mal dormidas faz eco em meus órgãos internos.
E quando arrumo a mesa só para mim, não sei se gostaria de colocar mais um prato ao lado. Pois um dia, os mais queridos desaparecem como pó.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O lixo e o luxo do meu cérebro.

Há dias, ou meses, falta-me a criatividade. A leitura filosófica e jornalística habituais já estão longe de serem hábitos. A vontade de escrever permanece, mas as ideias escapam da mente como pássaros presos que se libertam de gaiolas e voam distantes para lugar nenhum, apenas desintegram-se no espaço-tempo.
   Ouço quase o tempo todo a bendita frase "você deve confiar mais e acreditar em si mesma". Todavia, não tenho muita familiaridade com tal frase. Sei que sempre posso aprender e aperfeiçoar mais. Apenas falta-me a coragem e a autenticidade.
    É necessário pensar menos na opinião dos outros, ter menos pré-ocupação e agir conforme minhas aptidões. Afinal, algo ou alguma coisa só é original porque não deixou de ser em prol da opinião alheia, apenas deixou-se ser em prol de um ideal, sem a influência daquilo que modifica e o torna comum.
    Alguns pensamentos esquisitos, quase esquizofrênicos, embalam os meus dias. Assim como pensar na ideia da beleza surreal, irrelevante e suja, a qual, para mim, torna-se algo doentio, vez em quando. O físico é capa, é aparência, é engano e profanação. Tolo é aquele que pensa em beleza e a julga como algo unânime acima de qualquer outra coisa.
     A mídia é o lixo da beleza, e a beleza é o lixo da mídia. Crianças, jovens, adultos e idosos se menosprezam diante da falsa perfeição estampada e esfregada na cara como algo implicitamente obrigatório. Hipócritas!
      Luxo é ter "cérebro", humildade e respeito ao próximo. Beleza é carcaça.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma atitude basta para uma decisão fatal.



Logo pela manhã bem cedo, faço o meu café forte, o despejo na xícara, sinto o aroma e o tomo "calmamente" ao som de uma melodia um tanto dramática e instigante.
  Os pingos de leite que derramo no café são como a quantidade de esperança que ainda tenho de você.
  Olhar para a escuridão desse líquido fervente é a mesma sensação que tenho e que vejo em sua frente, diante de toda essa situação.
  Uma atitude basta para uma decisão fatal...
   Nosso caminho é como diferentes mosaicos que não se encaixam e seguem em sequências anti-horárias, anunciando vidas opostas de duas pessoas opostas.
   Em flashbacks lembro-me da infância ingênua e do amor puro de criança, e de uma donzela que não perde a sua pureza, não sei por que nem para quê. Porém, a torna diferente de muitas, não pelo fato de não se entregar, mas por  preferir seguir a doçura do coração ao amargo de situações como essa. Talvez seja de um filme que vi há algum tempo.
   Não que isso seja amargo para você. Pois nos prazeres da carne alheia de segunda, é o encontro da sua felicidade. Digo de segunda quando essa pessoa é tão deconhecida para você, perto de nós dois. Aliás, não sei mais quem é mais deconhecido aqui.
   E quando dizem "mais vale a dor de uma verdade do que a alegria de uma mentira" isso é mentira! Todavia, essa dor de hoje tomará seu rumo amanhã.
   Engraçado como é difícil apagar as imagens que se formam rapidamente depois do que você me contou. Como seria difícil esquecer uma fraqueza de uma noite. Talvez nem seja fraqueza.
   Apesar dos pesares, tudo parece um jogo, um jogo sueco. É, você ganhou, ou eu. Parece tão indefinido ou indeterminado, mas é finito.
   E o que eu digo para o meu oponente quando dou o xeque-mate no xadrez? Eu digo: Sinto Muito!
  

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Carta não entregue.

Hoje encontrei uma carta no meio de um caderno velho, na qual escrevi a um amigo há dois anos e nunca entreguei. Reescreverei ela aqui, em homenagem à lembrança daquele rapaz que não vejo mais.


"Sinto falta de você, meu amigo, tão importante em minha vida. É tão raro encontrar alguém com um coração maravilhoso como o seu. Com o abraço que me faz esquecer de tudo ao redor, o sorriso verdadeiro e o carinho inigualável.
    Lembra o dia que você deu todas as suas moedas para aquele morador de rua que estava revirando o lixeiro à procura de comida? Eu senti tanto orgulho de você! Lembra, também, o dia que sentamos na beira da calçada e você jurou ser meu melhor amigo? Por que não cumpriu? Por que partiu e nunca mais deu notícias?
    E aquele beijo que você me deu... Até cheguei a confundir nossa amizade com outro sentimento. Foi apenas confusão, mas inesquecível.
    Ainda sinto o perfume que você usava, um dos meus preferidos. Posso ver nitidamente as imagens de quando saíamos juntos e eu adorava estar ao seu lado. Até me fez furar o dedo para ver se eu estava com diabete. Só você mesmo!
    Lembro-me de que eu não tinha fome e você falava que enquanto estivesse aqui, iria me fazer comer. E hoje eu como, deveras, mas você não está por perto para eu lhe contar.
    A última vez que você veio, apenas te vi na rua, enquanto eu passava de carro. A minha vontade, naquela hora, era de pular do carro imediatamente, te abraçar e dizer tanto. Não foi assim, e você se foi.
    Ainda tem aquela xícara e o cartão que te dei no dia da sua despedida? E aquele último abraço, nunca mais esqueci. Eu juntei todas as forças para não chorar, porém, quando você já não estava por perto eu chorei tanto!
    Não quero acreditar que a nossa amizade se foi desde aquele último abraço. Gosto tanto de ti. Todavia, você se afastou. Ainda que fosse apenas geograficamente, mas você se foi por inteiro.
   O tempo passou e eu deixei de dizer tudo o que deveria ter lhe falado, o tanto que você é importante pra mim. Onde estiver agora, espero que ainda tenha lembranças da nossa amizade. Porque eu, eu sempre o guardei  num canto do coração, e a sua lembrança permanece viva por onde quer que eu vá.
   Talvez seja ironia do destino, coincidência ou algo do gênero, mas a música que você me mostrou uma vez começou a tocar de repente. Foi como retroceder um filme, com cenas inesquecíveis."








domingo, 23 de setembro de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Às vezes a vida é como uma noite de sono: Você dorme com sonhos e acorda sem eles.











Brenda Zanchet.

domingo, 5 de agosto de 2012

O doce veneno da sensualidade feminina


   As mulheres fatais usam roupas, geralmente vestidos, que valorizam suas formas, deixando-as mais sensuais. Mas cuidado! Existe uma linha tênue entre a sensualidade e a vulgaridade. Ademais, elas possuem postura, passos perfeitos. Seu olhar é atraente, porém, misterioso. O batom vermelho, os cabelos soltos ou presos, geralmente negros. Características essas, atribuídas, muitas vezes, pela mulher espanhola ou latina. Os movimentos e gestos como se fossem milimetricamente pensados, são de forma segura e confiante. Demonstrando tamanha sensualidade, determinação e maturidade.
  Essas mulheres são inesquecíveis na vida de um homem. Sedutoras  por natureza, não são vulgares. Sabem conquistar homens de verdade. Se ainda meninos, os transformam.  

     Sabem, também, muito bem o que querem e o que fazem. Sentem e dão prazer como ninguém, capazes de “enfeitiçar” os  homens, deixando-os tão cegos, tornando possível o fato de não desejarem mais nenhuma outra.
    Tais deusas
têm um fogo que vem de dentro, uma chama que nunca se apaga. Estão sempre prontas.
     Geralmente usam uma maquiagem rica em detalhes e extremamente sofisticada, deixando-as ainda mais femininas e sensuais. Dessa forma, demonstram extrema elegância por onde passam.  Marcadas por traços fortes.
      Há algumas danças, nas quais as mulheres mostram suas perfeitas formas, em movimentos sinuosos e fantásticos. Conhecidas no mundo como Flamenco, Tango, Salsa, entre outras.
      São mulheres consideradas românticas incuráveis,  entregam-se por completo, deixando-se possuir pelo desejo que invade seus corpos.
       Toda mulher tem dentro de si um mistério a ser desvendado, mas uma mulher nada esconde de um amante verdadeiro.
      Essas mulheres são ardentes como a pimenta, quentes como o fogo e tão incomuns quanto uma flor rara.
     Talvez um tanto difícil encontrá-las, mas não difícil  reconhecê-las.  Certamente sabem  a hora certa para agir, armam sua teia como uma aranha, pronta para devorar sua presa.
      Na maioria dos casos essas mulheres aprenderam a serem fatais com o tempo, com as experiências e com os erros decorridos de sua ingenuidade. Talvez representem ameaça, risco de um homem se prender a elas. Ou até, quem sabe, caminho sem volta.
     Toda mulher tem dentro de si esse poder, algumas já nascem sabendo lidar com o seu ponto forte, outras descobrem com o tempo. Há algumas que nem descobriram ou sequer  descobrirão em suas vidas o poder de seduzir.  
      Não existe idade para a mulher sensual, ela sabe ser única e reconhece a beleza que brota de dentro do seu ser. 
      São capazes  de ensinar o amor em suas mil formas, cada uma com a lição da alma de uma mulher.


    

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Encontros modernos

 É extremamente estranho e ruim quando se está tão feliz de ter encontrado a pessoa, de tê-la sentido e, de repente, leva um tombo quando vê que foi só mais um - mais uma vez - na vida de alguém que gostou tanto. E que, por um momento, tornou-se única pra ti. E  se pudesse, a tornaria única por muito tempo em sua vida.
  Mas não, você tem a obrigação de apagá-la da sua memória e afogar qualquer sentimento que teime em crescer, provindo de carinhos que em pleno século XXI não significam nada, absolutamente nada.
  Então você percebe que, ou se acostuma com essas tão modernistas intimidades superficiais ou o mundo o consome. Deixando-te sem chão e totalmente desiludido do afeto humano do amor romântico.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A gênese de um olhar magistral.

 Todo dia é sempre igual. Ela acorda às sete da manhã com o barulho estridente do despertador. Não pensa duas vezes antes de levantar. Escova os dentes, veste um estilo de roupa de acordo com o seu humor. Hoje, todavia, resolveu vestir uma saia de cetim de comprimento um pouco acima do joelho e uma camisa de voil um tanto discreta, um tanto ousada. Calçou os sapatos peep toe pretos, tomou um café na mesa da sala próxima a cozinha, ecoando solidão. Porém, ama a  própria companhia.
  Subiu em direção ao banheiro, escovou os dentes, passou maquiagem e penteou os cabelos castanhos, tamanho médio. Por fim, passou algumas gotas de perfume e deu a última visualizada para ver se estava tudo ok.
   Desceu as escadas com classe, pegou sua bolsa e decidiu ir a pé ao trabalho. Aquela mulher é firme nos passos, confiante no olhar e sexy nos movimentos. Por onde passa, deixa admiradores para trás. Está tão concentrada em si que mal nota os olhares, sequer nota os homens mais atraentes e charmosos em seus carros.

   Ao chegar no trabalho, pega o elevador e nem se dá conta do homem belo que a admira. Sempre firme no olhar misterioso, jamais é esquecida. Aqueles olhos são marcantes, de mulher determinada.
   Entra em seu consultório, direciona-se até a secretária, a qual imediantamente lhe mostra a agenda de pacientes para hoje. Afinal, uma psicóloga dedicada ao trabalho e renomada está sempre com a agenda cheia.
   Na hora do almoço, pega sua bolsa e vai até o restaurante da próxima rua. Ao passar pela porta do restaurante, vários olhares rapidamente se erguem em sua direção. Alguns homens, de tão indiscretos, chegam a levar uns tapas de suas mulheres enciumadas.
  Ela senta na mesa que dá para a janela, com quatro lugares, porém está só. Mal nota que o mesmo homem belo, o qual a havia olhado hoje cedo, perto do elevador, está na mesa ao lado.
  Vinte minutos se passam e a mulher pede a conta. Levanta-se e vai embora. No caminho, decide tomar um ar na praça da cidade. Ela é apaixonada pelo jardim e pelas árvores existentes no local.
  Trinta minutos depois, levanta-se e volta ao trabalho. Foram mais de seis horas de consultas. Às sete da noite se despede do último paciente, pega a bolsa, troca algumas palavras rotineiras com a secretária e aperta o botão do elevador. Decide chamar um táxi... Abre a porta do seu apartamento, joga a bolsa, tira os sapatos (está exausta), e vai tomar um banho quente. Durante o banho retoma os deveres rotineiros em sua mente. Janta qualquer coisa, lê alguns capítulos do livro do escritor francês De La Rochefoucauld, vai até a sacada e senta-se na cadeira de balanço para admirar a noite. É lua cheia, céu estrelado. Lembra-se de como o amava; e do último dia de mulher boba e romântica, há um ano. Lembrou de quando ele a deixou, com falsas explicações de meias palavras e foi viver a vida com outra, mais previsível, sem ar de mistério... Tão fútil.
  Há oito meses ela não nota mais os olhares, não se encanta por homem algum. Não atende aos telefonemas do dia seguinte, deixando marcas de noites inesquecíveis para homens que, ela mesma trata de esquecer, no minuto que vira as costas e vai embora.
  Todo encontro é sempre igual: Ela parte antes de ser abandonada. Todos os dias são sempre iguais: Decidica a não ser mais enganada.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É possível ser feliz sem sonhos?

Depois de algumas horas de estudo, comecei a esfregar as mãos no rosto por não conseguir resolver uma questão. Olhei para a janela que fica ao meu lado e vi a vizinha limpando o quintal da sua casa. Quando dei por mim, estava refletindo sobre a vida dela, a Nica, que já deve ter, sei lá, uns 40 anos. E não sai de casa, se esconde da janela quando algum conhecido passa na rua (ela mora na casa da esquina).
  Nica nunca se casou e nem a vi com homem algum desde que me entendo por gente. Às vezes penso: O que será que se passa na cabeça dela? E cheguei à conclusão de que nada daquilo era normal. Talvez algum distúrbio? É uma vida tão monótona, quase parada, se não parada. Quando vou até a casa da Nica entregar a capelinha, ela às vezes conversa comigo, pergunta como estou indo nos estudos e manda eu nunca desistir, "pois o estudo é muito importante na vida de uma pessoa". É então que percebo um certo ar de sabedoria semioculta naquela mulher. Mas em outros dias ela mal dá um oi e entra rapidamente em sua casa como se estivesse fugindo de alguém e não quisesse ser descoberta. Por vezes ela sorri, por vezes finge sorrir; por vezes seu olhar é nublado, por vezes é mistério.
   Pergunto-me se ela é feliz. E se for, como faz pra ser feliz sem sonhos? Como faz pra ser feliz sem esperar nada, além do dia seguinte? Se chove ou dá sol, se irá fazer frio ou calor... Acho que é só isso que ela espera do dia seguinte.
   Ela não trabalha fora de casa (mora com a mãe), não tem filhos, nunca construiu uma família, nunca lutou por um sonho sequer buscou ter conquistas. Nica às vezes limpa o quintal, fica olhando através da janela com vista para a rua (até algum conhecido aparecer). Nica nada espera da vida, apenas vive. E eu que espero tanto dos dias, sobrevivo com os obstáculos, mas de monótona a minha vida não tem nada. E se for? Se for, eu invento um sonho e um novo objetivo. Afinal, só é feliz quem sonha, ou não. Tenho minhas dúvidas.

sábado, 5 de maio de 2012

 Não sou o mistério propriamente dito mais sei-o fazê-lo bem.
 Como linhas subsequentes às vezes me surpreendo com uma súbita e momentânea felicidade sem necessariamente estar feliz.
  Não, não preciso e nem quero ser notada. Nem pelo bem nem pelo mal. Quero estar neutra, se puder até ser invisível. Só então estarei apta e segura para observar com precisão os detalhes a minha volta. Sem interrupções, sem choramingos, sem me importar comigo mesma. Pois sim, vivo para observar, escrever, descrever fatos e sensações alheias.
 Quem sabe não sou humana. Ou sou. Não sei ao certo. Não penso como os outros, sinto absoluta estranhesa diante de muitos. O confortável só existe quando não existo. Os fatos só os são quando meu subconsciente constrói histórias perfeitamente elaboradas dentro do meu adormecer.
  Se não fosse pelo medo da morte, viva eu já não estaria.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Conflito intelectual

  Joana perguntou-se ao ouvir o barulho da chuva: O que é ser quando não se está sendo? 
Sem obter nenhuma resposta imediata, pôs-se a pensar sobre o existir da vida humana.
  Ser racional e emocional são características dignas do Ser homem, hominídeo, humanizado, antropomórfico, tanto faz.
  "A partir do momento que penso, reflito. E ao refletir, duvido. E ao duvidar, entro em colapso. Logo, entro em confusão com o ser, com o meu ser". - pensava Joana.
   A inteligência que me acarreta é difícil de ser compreendida e lapidada. Pois na complexidade dos meus pensamentos, há um misto de tudo, tornando a dúvida e a incerteza aliadas do meu cérebro.
   Pois, não é necessário provar para ninguém qual é o grau de inteligência que possuo. No entanto, ter dificuldade em organizar meu raciocínio crítico, torna-me uma das piores inimigas na hora de colocar à  mesa todo o conhecimento que possuo.
    Pessoas assim, como Joana, como poucas. Sentem-se desafiadas e questionadas diante da dificuldade em mostrar conhecimento. Frisando que não é pelo fato de pouco saber. Ao contrário disso, pelo fato de não ter habilidade em organizar tamanho conhecimento.
    Ser de tal maneira, há suas vantagens e desvantagens. Porém, uma coisa é certa, a sua "hora" chega de surpresa perante os olhos dos outros. Só por isso faz-se entender que o doce tem gosto amargo de começo, mas depois o sabor torna-se eterno, ou pelo menos duradouro. E o eterno doce da vitória é o cheque-mate para chegar ao sucesso, ou seja, só no final é que se revelam as grandes mentes aos olhos dos incrédulos.

Às vezes só há uma música ao longe quebrando o silêncio, rima de um outro verão.


Brenda Zanchet

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diário de um solitário

Há dias não ouço um elogio sobre o meu sorriso.
Tenho andado nas ruas como se estivesse camuflada e congelada. Não vejo mais olhares, não ouço vozes, não distingo pessoas.
Anestesiei-me, desliguei-me. Porém, conectei-me ao som instrumental da minha mais nova música preferida. Costumo dizer que é a música da pureza e de outra palavra que ainda estou procurando para que se encaixe perfeitamente ao que estou sentindo.
Adquiri uma mania, a de olhar para o céu enquanto caminho. Quem sabe os cidadãos que passam por mim acham-me alienada ou com disturbios. Entretanto, há, com certeza, alguém que perceba a doçura do meu olhar e o equilíbrio que trago nos passos.
Resolvi mudar um pouco o que sinto. Tenho buscado inspiração nos seres abióticos da natureza, em pensamentos opostos aos meus, em livros que nunca imaginei apreciar um dia.
Por um tempo prévio ou indeterminado, resolvi encontrar amor no sol, nas constelações que iluminam o meu quarto, deixando as minhas noites mais confortáveis. Então, me recordo do encontro que tive com a lua, amante dos poetas, cúmplice dos casais apaixonados, companheira dos solitários. Como é bom fazer companhia a ela, deitar sob a luz do seu encanto, notar como fica mais bonita ao engordar e

admirá-la por sentir-se bela ao ser chamada de "Lua Cheia".
Chega o fim da noite, a hora que devo me recolher. Volto a lembrar da maneira cruel que fui comigo ao me camuflar para o meu próprio engano na luta contra a paixão.
E antes de fechar meus olhos, decido que amanhã pensarei melhor sobre a minha escolha pela solidão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Entre dois mundos

Considero-me exótica: gosto do estranho, do diferente, do que muitos na minha idade não gostam e vice versa. É como se eu fosse de outro lugar, perdida em um mundo que não combina comigo, rodeada daquilo que menos prezo, sentindo frio no extremo verão, sentindo vazio no meio da multidão, observando o que não gosto, tentando afastar-me do que mais me irrita, querendo apenas a melodia da caixinha de música, doce e relaxante, que acalma o meu coração e alivia a alma. Por alguns minutos eu vivo: quando escrevo e quando ouço a minha melodia preferida.
Às vezes acho que fiz algo de muito errado em outra vida, por ser tão diferente de todos, inclusive dos meus pais.
Viver se torna difícil quando esse mundo não lhe pertence e não combina com o seu modo de viver tão peculiar e exótico.
Sinto dores de cabeça, inquietação no estômago, pensamentos embaralhados em um mar de solidão. Não é bem tristeza que sinto, é uma espécie de decepção com os valores que o mundo preza comparados aos meus.
Ando por aí, vejo pessoas, socializo com uma certa dificuldade em festas que não pertencem ao meu mundo interior. Sorrio para não precisar dar qualquer explicação que não vale o esforço.
À noite, da janela do meu quarto, as estrelas parecem mais interessantes, o céu infinito parece combinar com a minha paz interior e o vento leve da noite fresca me envolve em seus braços como colo de mãe.
Gosto do calar da noite, de andar na chuva ao som das batidas do meu coração alegre, por estar sentindo os pingos da chuva molharem meu rosto, sendo assim, estar vivendo.
Coisas simples me encantam, a natureza encanta-me. É como se eu precisasse apenas de alguns mantimentos e de uma linda floresta com cheiro de mato molhado, com cheiro de vida!
O que resta fazer é lutar por alguns objetivos ao meu alcance e ajudar a curar ferimentos físicos, mentais e espirituais de pessoas tão necessitadas da cura. Pois curar é simples quando se tem fé e amor pelo ser humano. Dedicação é tudo.
A vida pode ser incrível se eu quiser, basta ir atrás do que realmente me interessa. E assim que reencontrar o caminho que devo seguir, continuarei andando ao encontro do meu existencial, do que me faz bem, mesmo sendo alguém tão diferente da maioria. Pois é assim que sou: simples como o vento, rara como tempestade de estrelas, misteriosa como o flutuar de uma borboleta lilás em seu voo deslumbrante.
Acredito no amor de Julieta, no sonho de viver como um homem normal do Corcunda de Notre Dame, na tentativa persistente de Allan Kardec convencer o mundo da vida e da alma além do que os nossos olhos podem ver. E, por fim, no amor de Deus como meu pai, na grande missão que me espera daqui para frente.



Filme para assistir: Into the wild (Na natureza selvagem)
"Também sei o quanto é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte."
"Se você quer algo na vida, estenda a mão e agarre."

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Castigo

Por vezes pagamos caro pelos erros que cometemos. Por vezes, não obteremos mais algo pela simples ignorância de ter agido errado.
Como forma de castigo, um certo alguém sempre volta a tirar a paz e a tranquilidade dos meus sentimentos, transformando tudo como um furacão feroz dentro da mente. E como se não bastasse, o tal do destino sempre se encarrega de proporcionar as "coincidências" e os encontros inesperados.
Sem qualquer explicação a dar, o coração revive algo que nem teve ou quase teve em relação a alguém e, com um erro causado pela própria desfaçatez, os desejos ficam reprimidos e ocultos, jogados em qualquer espaço entre a razão e a emoção.
O castigo é tão grande que chega ser impossível evitar o inevitável: aquele olhar terno e ressentido de alguém que jamais esquecerá o meu erro cometido, aquela mão macia que sinto justo quando não posso senti-la, o sorriso de garoto de quem ainda sente ao menos amizade. Como se não faltasse mais nada para acontecer, descubro que está acompanhado da sua mais nova "menina". Com um tanto de prazer e vingança, vem me dizer mais do que rapidamente de que ela "não foi boba o suficiente pra não tê-lo recebido como eu mesma tive a ousadia de fazer". É claro que não foram essas as palavras, mas o que disse soava até pior que isso.
Ao voltar para casa fiquei remoendo lembranças, conversas agradáveis e um adeus eterno ao coração daquele homem.
Arrisco-me a desafiar o destino e ver até quando pretende provocar mais encontros inesperados que fazem reacender todas as sensações e sentimentos adormecidos, dos quais tanto relutei pra tratar de esquecer.
Às vezes fico pensando se é válida aquela frase "E mesmo sorrindo por aí, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos".

Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam.



Clarice Lispector.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

18 anos comparados aos 81.

No auge da juventude, algumas pessoas sentem-se velhas, com a visão prejudicada, a inaptidão para festas tão badaladas e ouvidos surdos diante da menor vontade de ouvir o inútil, o fútil.
O hábito da leitura é a única coisa que lhe resta, o escrever é um dos poucos prazeres capaz de sentir, e a solidão? A solidão seria o fim do "tentar viver" e o começo do "deixar a vida te levar" ou melhor "ir vivendo".
Num instante percebe-se que todos ao seu redor se divertem, inclusive os mais velhos de idade, na visão de jovens eternos. E no auge de seus 18 anos, a "velhice" lhe acomoda a vida, como se perdesse o gosto por namorar, conhecer novos desafios, novas multidões, prazeres irresistíveis.
São 18 anos comparados aos 81. Corpo de jovem com o olhar de idoso. E para alguns psicólogos ou psiquiatras isso chamaria-se depressão, ou algum novo diagnóstico?
É como se arriscar fosse perigoso demais para a fraqueza que possui, ou que não tenha força suficiente para lutar contra todos os empecilhos em sua vida. Talvez um carma? Ficar olhando a vida passar e a festa acontecer diante da janela do seu quarto.

E ao olhar em seu interior, com as próprias mãos arrancar o coração, como se não o precisasse mais. O olhar finito da limitação quase escassa de alegria. Os ossos fracos, os músculos inutilizados e o amor inoportuno e inválido ao hipotálamo.
É como se pai e filho trocassem os papéis: O pai sai no sábado à noite ao encontro do amor, o filho fica em casa contando os minutos finais do conúbio com a sua dor.
"A experiência pode fazer de um homem um expert, mas nada lhe acrescenta como escritor, senão a dificuldade cada vez maior de não se repetir. Um escritor está sempre começando, e isto é o que há de mais dramático em seu destino: ser um eterno principiante."





Fernando Sabino

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Amor à moda antiga

Sem nada pra fazer em uma sexta à noite, com um bom livro em mãos e olhando para a lua iluminando o céu, comecei a refletir sobre o amor à moda antiga. Ao folhear as páginas de tal livro, logo li sobre como era um namoro há algumas décadas. “Moça que deixasse segurar a mão em público estava, pois, com a reputação comprometida.” “Beijo, só depois de alguns meses: um beijo furtivo, no recuo do portão ou atrás de uma árvore, era a próxima etapa a conquistar, só se pensava nisso. E nesse dia a alma embandeirada decretava para o namoro um feriado nacional.” Sábias palavras de Fernando Sabino.
Lendo palavras assim, começo a me perguntar:

Por que banalizaram o namoro, o amor?
Pois dependendo da velocidade que anda certos namoros e certas pessoas que encontramos, simplesmente as coisas perdem a graça mais cedo, dando a sensação de que já usufruiu de tudo de bom que tinha naquela pessoa/namoro e nada mais parece ser emocionante. Alguns dizem que pra um relacionamento durar é preciso “revolucionar” o sexo a cada tempo, é preciso sair da rotina, buscar novas aventuras com o parceiro. Tudo isso é válido pra a outra pessoa não se interessar pela “mulher” alheia? E quando ouço falar da tamanha dificuldade que é morar junto, ou do esforço que ambos devem fazer para se adaptar com as diferenças do outro... Por que as avançadas etapas de um namoro se tornaram tão acessíveis? Pra ficar chato com o tempo, pra ficar enjoativo, pra um dos dois sair mais magoado no fim da história.
Talvez eu esteja enganada ou quem sabe eu nem tenha tido experiência suficiente pra dar tais opiniões. Mas então por que os livros “Coisas que mulheres inteligentes precisam saber” “como atrair o amor da sua vida” “Deixe os homens aos seus pés” “fuja da rotina” têm sido tão vendidos atualmente? Pra mim, isso é sinal de que há alguma coisa errada com os relacionamentos. Talvez tamanha liberdade alcançada? Pessoas que realmente não sabem lidar com essa “tal” liberdade, pois é o que vejo ao sair pelas baladas à noite: pessoas sozinhas, vazias, em busca de um amor duradouro, mas que não dura algumas horas num flerte transitório. Ou então ter se tornado comum pegar o telefone, ou melhor, o “e-mail” e nem sequer ir atrás no dia seguinte, deixando o bobo ou a boba a espera daquela pessoa encantada que não passa de mais alguém que não sabe o significado da conquista.
Realmente pra um bom escritor talvez tenha sido preferível a solidão, ao ter que lidar com amores evasivos. Para um romântico atual, tem sido difícil ter que lidar com tantas pessoas supérfluas que mal dão significância ao amor, tão raro tem sido o encontro com alguém verdadeiro e puro, nem se fala em tempos de carnaval, período em que as chances chegam a quase zero de encontrar a pessoa “certa”, se é que o “lema” do carnaval não tem perdurado para o ano todo: Solteiro sim, sozinho nunca. Pra ser sincera, é o que mais tenho ouvido por aí, o orgulho de ser solteiro, o orgulho de ter várias conquistas e não se prender a ninguém. Por onde anda os eternos amantes? Pessoas passíveis de amor, abertas a um romance? E de repente me deparo com a letra absurda de uma música “Tá afim de um romance compra um livro.” Como assim? Agora pra viver um romance é só no papel? Na imaginação e na história contada por outro alguém? Realmente preciso de uma boa dose de uísque e muita paciência para que o amor volte ou quem sabe esperança para que o amor venha.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O preço de um sonho

Decidir o que ser quando crescer nunca foi fácil. Mais difícil ainda é quando você já cresceu e está na hora de tomar um rumo na vida. Rumo esse que ninguém estará junto contigo, e é então que você perde todos os privilégios que tinha quando morava com algum responsável. Ninguém mais aceita lhe dar roupa lavada, casa e comida se você não trabalhar ou não decidir que profissão seguir. Mais difícil ainda é quando você escolhe uma profissão que lhe exige muito estudo, esforço e dedicação. E que pra chegar lá você terá que percorrer muito chão.
É então que você percebe que está sozinho. Seus pais lhe soltam no mundo a fora e seja o que Deus quiser. Não é uma questão de viver, é uma questão de sobrevivência: ou você corre atrás, sofre no começo, se priva de muitas coisas para alcançar seu sonho ou a vida lhe mostra como você é um "nada" diante da sociedade.
Eu sei, no começo você chora, você esperneia, você reluta, e em casos mais extremos até perde a vontade de viver. Mas a única pessoa capaz de transformar a sua vida, nem que pra isso tenha que ser com trabalho árduo, é apenas VOCÊ.
Em alguns casos você deixa de ir naquela festa que tanto esperava, deixa de namorar aquela pessoa que, na maioria dos casos, não vai entender o tempo e dedicação que você precisa pra alcançar esse sonho. Deixa de conhecer aquela pessoa especial, pois sabe que para esse sonho se concretizar é preciso dedicação total.
Algumas vezes o cansaço aparece, o desânimo é quase que incontrolável, a autoestima é quase zero. Mas você tem que ser forte. Agora é só você e você! Agora você vai se sacrificar para um dia ter a alegria absoluta, a sensação da vitória e o orgulho que será só seu.
Você vai se perguntar: Mas é tanto sofrimento, será que vou conseguir focar? Será que alcançarei o meu objetivo depois de tanto me sacrificar?
Meu amigo, a resposta está estampada na cara de muita gente que um dia esteve exatamente no seu lugar, e se isso lhe servir de consolo alguns estavam até pior. Mas eles manteram pulso firme, bateram o pé, deixaram muita gente de lado, mostraram para todos aqueles fracassados que insistiam para que desistissem desse tal sonho, que qualquer pessoa é capaz sim de alcançar tudo o que almeja, independente do tamanho que for esse sonho. É importante que tenha garra, determinação, foco e, principalmente, ao acordar todos os dias, olhe no espelho e diga o quanto se ama e quão longe você já chegou e chegará! Seja forte meu amigo, seja forte e mostre que você é mais do que todos um dia puderam imaginar que você seria: Um guerreiro, um vitorioso.


Hoje olho pra trás e vejo que é tudo ou nada. Que devo encarar todos os meus medos e enfrentar qualquer barra pesada que aparecer. Afinal, quando olho pra trás, vejo que não tenho nada a perder.


Brenda Zanchet

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Amigo raro

Hoje dei-me conta da falta que sinto de um amigo tão especial que sempre esteve disposto a cuidar do meu coração e me proteger de todos aqueles que poderiam vir a me prejudicar. Descobri, então, que algumas desavenças e confusões não são pareis para o nosso laço tão forte de amizade e cumplicidade. Quando deito a cabeça em meu travesseiro antes de dormir, lembro-me desse amigo, um dos poucos que confio com os olhos fechados e sei que jamais seria capaz de me fazer mal algum. Depois de tantas histórias juntos, desabafos, confidências, conselhos, diversões, risos e até lágrimas compartilhadas, percebi que nosso histórico e tamanha amizade não é assim tão comum, posso dizer que é uma amizade rara, uma irmandade não de sangue, mas se pudesse assim ser, seria. Tamanha amizade capaz de enfrentar preconceitos e mostrar para todos que amizade verdadeira entre homem e mulher existe, pois somos a prova disso.
Esse meu amigo faria do meu mundo um conto de fadas só para ver-me sempre com um sorriso no rosto e meu coração coberto de alegria. Tenho tanto a agradecer por tudo que tem feito por mim e por ter me cuidado com tanta destreza. Como eu poderia deixar essa amizade por tão pouco? Como eu poderia deixar de lado um amigo? Fazendo, portanto, que o mal vença diante do bem que possuímos em nossos corações?
Eu costumava dizer que nossos corações eram raros, eram de tamanho amor pelo próximo que poucos teriam esse "dom" para amar. Resultado disso, é a nossa ingenuidade diante de pessoas tão maliciosas, capazes de nos enganar, de derramar lágrimas de nossos olhos por um longo tempo e nos fazer acreditar num amor que pra tais pessoas era superficial ou uma brincadeira sem graça. Sei que fomos testemunhas de tantos amores incrédulos e crueis, fomos protagonistas dessas novelas tão reais.
De tanto bem que o quero, sinto que ele foi um anjo enviado para me cuidar e estar ao meu lado nas horas difíceis que tenho passado e para mostrar que existem pessoas verdadeiras, corajosas e que o amor puro e "mágico" existe sim! Pois sempre acreditei que no meio de tanta dor, tanta guerra, tantas desavenças e crueldades, existe um amor capaz de transformar o mundo e tranformar guerra em paz, dor em liberdade.
Há coisas que, de tão milagrosas que aconteceram em nossas vidas, fazem-me acreditar realmente em destino e que nada é por acaso. Porque, realmente, esse meu grande amigo, meu irmão, não apareceu por acaso. Ele tem feito a minha evolução aqui na terra - tenho crescido, amadurecido e me preparado a cada dia para que eu possa ajudar as pessoas necessitadas de amor e compaixão. Meu companheirinho para todas as horas, meu querubim, tem estado me guiando na estrada da vida e tem me ajudado a desviar de pedras enormes no meio do caminho.
Destas palavras que escrevo não seriam nem 10% do amor que sinto por esse meu grande amigo, nenhum gesto meu seria suficiente comparado ao tamanho da minha gratidão por essa pessoa maravilhosa participar com tanta eficácia nos dias de minha vida. Espero estar uma vida inteira ao lado dessa pessoa, espero que na velhice ele ainda tenha força em suas pernas para me visitar, tenha a visão quase perfeita para enxergar tudo de bom que ele tem feito na minha vida, tenha coordenação nos braços e nas mãos para folhear um antigo álbum de fotos das nossas histórias do passado e por fim, tenha muita saúde pra me acompanhar até o último suspiro.



Dedico essa mensagem a um grande irmão que pude ter a honra de escolher para atravessar todas as fases da vida e ajudar-me na dispersão do amor pelo mundo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Quando algo não lhe cabe compreender, faça o favor de respeitar.



Brenda Zanchet
Quase todas as vezes que leio a bíblia, automaticamente se abre na página onde tem uma mensagem muito linda. Costumo dizer que é a prova de que Deus nunca me abandonará. É uma mensagem que, creio eu, poucos conhecem.


"Infeliz, sacudida pela tempestade e sem alívio, eis que te vou construir em pedra de jaspe e preparar teus alicerces de safira.
Farei tuas ameias de rubis, as portas de cristal, e todo um recinto de pedras preciosas.
Todos os teus filhos serão instruídos pelo Senhor, e a felicidade deles será grande; tu serás fundada sobre a justiça.
Serás isenta de qualquer opressão, nada terás a temer, e de todo o terror, pois não poderá atingir-te.
Se te atacarem, não será de minha parte; teus agressores sucumbirão diante de ti. De fato, fui eu quem criou o ferreiro, que sopra sobre o fogo de brasas e dele tira as armas trabalhadas pela sua arte; também fui eu quem criou os demolidores para destruir: qualquer arma forjada contra ti ver-se-á destinada ao insucesso, e na justiça ganharás causa de qualquer língua que quiser acusar-te.
Tal é o apanágio dos servos do Senhor, tal é o triunfo que lhes reservo, diz o Senhor."

Isaías, Capítulo 54, Versículos 11 ao 17.

domingo, 22 de janeiro de 2012


Meu Deus, eu só te peço que tenha piedade de mim, tenha piedade do meu coraçãozinho e das lágrimas que teimam em cair todas as noites. Meu senhor, tenha piedade da criança que vive dentro de mim e dessa vontade de amar que eu não quero mais ter.
É como se em qualquer lugar que eu fosse essa ausência me acompanhasse... Eu não quero precisar da presença masculina, eu já fui tão magoada, meu pai. Não sei se o senhor sabe, mas o único pai que tenho é o senhor. Eu já fui magoada por aquele que os humanos consideram como pai biológico, que nem se interessa pela filha que tem. E já fui magoada por alguém que é meu parente e que magoa todos que amo.
Senhor, eu agradeço tanto pela força que me dá todos os dias que acordo e lhe agradeço pelo dom de sorrir até quando tenho raiva, até quando sou magoada e quando não tenho a mínima vontade de sorrir para tais pessoas.
Eu sei que algum dia na minha vida uma estrela vai brilhar pra mim e a felicidade virá na minha direção. Enquanto isso eu só peço que me dê forças, me dê controle e muitos sorrisos para que eu possa distribuir mesmo que isso pareça ser tão difícil.
Meu pai, muitas pessoas não acreditam que eu vá realizar o sonho da medicina, mas eu sei que vou, porque o único que nunca me abandona é o senhor que me olha lá de cima todos os dias.
Alivia a minha dor meu Deus! Eu prometo tentar aprender a amar todas as pessoas nessa vida e ajudá-las em suas enfermidades, mas me ajuda a ser forte, por favor.
Sabe, eu já perdi as esperanças de encontrar a pessoa que eu sempre sonhei desde criança encontrar. Sempre chamei isso de desejo de amor precoce. Sei que nunca o encontrei e de tanta mágoa do lado masculino, não sei se espero ainda encontrar.
Eu realmente to alimentando um amor imaginário dentro desse coraçãozinho bobo que raramente é reconhecido nesses dias tão banais. Mas sei que algo me espera, e por saber disso é que levo a minha fé adiante no meio de tanta solidão.
Não que isso seja um desabafo, mas é uma dor que às vezes se torna insuportável de segurar e que aparece em pranto e lágrimas que tanto venho segurado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Amor Próprio


Há algum tempo tenho gostado da minha inata companhia. Tenho me amado mais, me ouvido mais e me satisfiz mais.
Descobri que posso sim, ter uma relação apenas com o meu "eu", entrando em sintonia com a alma e fazendo as pazes com o coração.
De fato o amor é belo, mas incrivelmente belo é mesmo o amor próprio, esse que me cuida, me proporciona a autoestima, o sorriso mais íntimo e o perfume da minha ternura.
Elogios são de praxe essenciais, mas essenciais mesmo são os elogios que me faço na frente do espelho todos os dias. E agradecer tem sido rotineiro e purificador, pois descobri que viver é lindo e ter saúde é o que me faz conseguir fazer tudo o que quero e lutar pelo o que EU quero.
Alguns me confundem com solidão. Mas não desprezo seu engano equivocado. Porém, sábio é o homem que se ama e se completa. Pois, de consequência vem o resto.
Comecei a reparar em detalhes simples. Como o brilho no olhar, um gesto despercebido, o sorriso de uma criança tímida...
Comecei a ouvir grandes histórias; de um amigo, da manicure, de um colega e de uma pessoa com vasta experiência. Aceitei conselhos de pessoas sábias, deixei o passado para trás e olho apenas para frente, para o meu foco, para o meu presente, sem deixar de pensar no futuro.
Eu cansei da dor de algo que não volta, das lembranças que hoje nada valem. Eu vou em busca do que me faz crescer, daquilo que me acrescenta, dos sonhos que jamais serão impossíveis e, sim, realizáveis.