Sem nada pra fazer em uma sexta à noite, com um bom livro em mãos e olhando para a lua iluminando o céu, comecei a refletir sobre o amor à moda antiga. Ao folhear as páginas de tal livro, logo li sobre como era um namoro há algumas décadas. “Moça que deixasse segurar a mão em público estava, pois, com a reputação comprometida.” “Beijo, só depois de alguns meses: um beijo furtivo, no recuo do portão ou atrás de uma árvore, era a próxima etapa a conquistar, só se pensava nisso. E nesse dia a alma embandeirada decretava para o namoro um feriado nacional.” Sábias palavras de Fernando Sabino.
Lendo palavras assim, começo a me perguntar:
Por que banalizaram o namoro, o amor?
Pois dependendo da velocidade que anda certos namoros e certas pessoas que encontramos, simplesmente as coisas perdem a graça mais cedo, dando a sensação de que já usufruiu de tudo de bom que tinha naquela pessoa/namoro e nada mais parece ser emocionante. Alguns dizem que pra um relacionamento durar é preciso “revolucionar” o sexo a cada tempo, é preciso sair da rotina, buscar novas aventuras com o parceiro. Tudo isso é válido pra a outra pessoa não se interessar pela “mulher” alheia? E quando ouço falar da tamanha dificuldade que é morar junto, ou do esforço que ambos devem fazer para se adaptar com as diferenças do outro... Por que as avançadas etapas de um namoro se tornaram tão acessíveis? Pra ficar chato com o tempo, pra ficar enjoativo, pra um dos dois sair mais magoado no fim da história.
Talvez eu esteja enganada ou quem sabe eu nem tenha tido experiência suficiente pra dar tais opiniões. Mas então por que os livros “Coisas que mulheres inteligentes precisam saber” “como atrair o amor da sua vida” “Deixe os homens aos seus pés” “fuja da rotina” têm sido tão vendidos atualmente? Pra mim, isso é sinal de que há alguma coisa errada com os relacionamentos. Talvez tamanha liberdade alcançada? Pessoas que realmente não sabem lidar com essa “tal” liberdade, pois é o que vejo ao sair pelas baladas à noite: pessoas sozinhas, vazias, em busca de um amor duradouro, mas que não dura algumas horas num flerte transitório. Ou então ter se tornado comum pegar o telefone, ou melhor, o “e-mail” e nem sequer ir atrás no dia seguinte, deixando o bobo ou a boba a espera daquela pessoa encantada que não passa de mais alguém que não sabe o significado da conquista.
Realmente pra um bom escritor talvez tenha sido preferível a solidão, ao ter que lidar com amores evasivos. Para um romântico atual, tem sido difícil ter que lidar com tantas pessoas supérfluas que mal dão significância ao amor, tão raro tem sido o encontro com alguém verdadeiro e puro, nem se fala em tempos de carnaval, período em que as chances chegam a quase zero de encontrar a pessoa “certa”, se é que o “lema” do carnaval não tem perdurado para o ano todo: Solteiro sim, sozinho nunca. Pra ser sincera, é o que mais tenho ouvido por aí, o orgulho de ser solteiro, o orgulho de ter várias conquistas e não se prender a ninguém. Por onde anda os eternos amantes? Pessoas passíveis de amor, abertas a um romance? E de repente me deparo com a letra absurda de uma música “Tá afim de um romance compra um livro.” Como assim? Agora pra viver um romance é só no papel? Na imaginação e na história contada por outro alguém? Realmente preciso de uma boa dose de uísque e muita paciência para que o amor volte ou quem sabe esperança para que o amor venha.

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