quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diário de um solitário

Há dias não ouço um elogio sobre o meu sorriso.
Tenho andado nas ruas como se estivesse camuflada e congelada. Não vejo mais olhares, não ouço vozes, não distingo pessoas.
Anestesiei-me, desliguei-me. Porém, conectei-me ao som instrumental da minha mais nova música preferida. Costumo dizer que é a música da pureza e de outra palavra que ainda estou procurando para que se encaixe perfeitamente ao que estou sentindo.
Adquiri uma mania, a de olhar para o céu enquanto caminho. Quem sabe os cidadãos que passam por mim acham-me alienada ou com disturbios. Entretanto, há, com certeza, alguém que perceba a doçura do meu olhar e o equilíbrio que trago nos passos.
Resolvi mudar um pouco o que sinto. Tenho buscado inspiração nos seres abióticos da natureza, em pensamentos opostos aos meus, em livros que nunca imaginei apreciar um dia.
Por um tempo prévio ou indeterminado, resolvi encontrar amor no sol, nas constelações que iluminam o meu quarto, deixando as minhas noites mais confortáveis. Então, me recordo do encontro que tive com a lua, amante dos poetas, cúmplice dos casais apaixonados, companheira dos solitários. Como é bom fazer companhia a ela, deitar sob a luz do seu encanto, notar como fica mais bonita ao engordar e

admirá-la por sentir-se bela ao ser chamada de "Lua Cheia".
Chega o fim da noite, a hora que devo me recolher. Volto a lembrar da maneira cruel que fui comigo ao me camuflar para o meu próprio engano na luta contra a paixão.
E antes de fechar meus olhos, decido que amanhã pensarei melhor sobre a minha escolha pela solidão.

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