terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Entre dois mundos

Considero-me exótica: gosto do estranho, do diferente, do que muitos na minha idade não gostam e vice versa. É como se eu fosse de outro lugar, perdida em um mundo que não combina comigo, rodeada daquilo que menos prezo, sentindo frio no extremo verão, sentindo vazio no meio da multidão, observando o que não gosto, tentando afastar-me do que mais me irrita, querendo apenas a melodia da caixinha de música, doce e relaxante, que acalma o meu coração e alivia a alma. Por alguns minutos eu vivo: quando escrevo e quando ouço a minha melodia preferida.
Às vezes acho que fiz algo de muito errado em outra vida, por ser tão diferente de todos, inclusive dos meus pais.
Viver se torna difícil quando esse mundo não lhe pertence e não combina com o seu modo de viver tão peculiar e exótico.
Sinto dores de cabeça, inquietação no estômago, pensamentos embaralhados em um mar de solidão. Não é bem tristeza que sinto, é uma espécie de decepção com os valores que o mundo preza comparados aos meus.
Ando por aí, vejo pessoas, socializo com uma certa dificuldade em festas que não pertencem ao meu mundo interior. Sorrio para não precisar dar qualquer explicação que não vale o esforço.
À noite, da janela do meu quarto, as estrelas parecem mais interessantes, o céu infinito parece combinar com a minha paz interior e o vento leve da noite fresca me envolve em seus braços como colo de mãe.
Gosto do calar da noite, de andar na chuva ao som das batidas do meu coração alegre, por estar sentindo os pingos da chuva molharem meu rosto, sendo assim, estar vivendo.
Coisas simples me encantam, a natureza encanta-me. É como se eu precisasse apenas de alguns mantimentos e de uma linda floresta com cheiro de mato molhado, com cheiro de vida!
O que resta fazer é lutar por alguns objetivos ao meu alcance e ajudar a curar ferimentos físicos, mentais e espirituais de pessoas tão necessitadas da cura. Pois curar é simples quando se tem fé e amor pelo ser humano. Dedicação é tudo.
A vida pode ser incrível se eu quiser, basta ir atrás do que realmente me interessa. E assim que reencontrar o caminho que devo seguir, continuarei andando ao encontro do meu existencial, do que me faz bem, mesmo sendo alguém tão diferente da maioria. Pois é assim que sou: simples como o vento, rara como tempestade de estrelas, misteriosa como o flutuar de uma borboleta lilás em seu voo deslumbrante.
Acredito no amor de Julieta, no sonho de viver como um homem normal do Corcunda de Notre Dame, na tentativa persistente de Allan Kardec convencer o mundo da vida e da alma além do que os nossos olhos podem ver. E, por fim, no amor de Deus como meu pai, na grande missão que me espera daqui para frente.



Filme para assistir: Into the wild (Na natureza selvagem)
"Também sei o quanto é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte."
"Se você quer algo na vida, estenda a mão e agarre."

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