terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Filantropia

                                           

 Você que está aí sentado no sofá, sabe o que está acontecendo no mundo neste momento? Quantas pessoas são mortas por dia, quantas pessoas são violentadas física e verbalmente, quantas pessoas não têm oportunidade de ter uma vida melhor, quantas pessoas não têm o que comer no jantar, quantas pessoas não têm um colchão e um travesseiro macio para dormir... Você sabe disso?

 Não, não é só na África que crianças passam fome, que morrem por falta de atendimento médico, que não têm oportunidade, que suplicam por uma gota de chuva, por um pedaço de pão, por um minuto a mais de vida.
  E você, você já quis se matar só porque o namorado te deixou, não é mesmo?
  Me diga, você sabe realmente o que é necessário na sua vida? Um carro, um celular de última geração, um namoro como status, festas - no mínimo de quinta a domingo - mulheres lindas por fora. Tudo isso ou alguma coisa das quais falei é essencial para a sua felicidade? No fim, te torna uma pessoa vazia.
  Pois a felicidade está em amar, amar incondicionalmente o próximo, a natureza, o universo.
           
  Hoje quando você acordou, abriu a janela, viu o dia lindo lá fora e agradeceu por ele? Ou simplesmente reclamou mais um dia por ter de acordar cedo, trabalhar ou estudar deveras mais uma vez?



  E então você diz que se importa com o próximo, com as crianças da África, da Síria ou do Haiti, todavia reparou na criança do bairro pobre da sua cidade, na criança órfã, no mendigo da praça no final da sua rua?

 Você diz que ama as pessoas e que faz o bem... Então me responda, você já criticou alguém hoje? Já acreditou em um quase desconhecido acusando o seu amigo e preferiu não ouvir o que este tinha a dizer? Você está cego de ódio pela sua ex namorada? Você não consegue perdoar o seu pai por ter aprontado com a sua mãe e sumido no mundo? Você já fez fofoca da vida alheia hoje? Se respondeu sim para pelo menos uma das perguntas, então você não ama plenamente nem faz o bem de corpo e alma, há algo em você que precisa mudar. Acha que não? O seu ego fala mais alto, é claro. Ouça, observe, aprenda, ame realmente e evolua.
 

  Talvez você me diga que o mundo não mude, que não há o que fazer, que não é possível mudar essa realidade. Pois lhe digo que o mundo muda - mas se você mudar.
  O mundo não muda se as pessoas acham normal a fome na África ou no bairro da sua casa, as mensagens de ajuda na internet, na TV ou no rádio, se as pessoas não se chocam mais com a realidade cruel de muitas famílias desestruturadas, de muitas crianças e jovens perdidos, pedindo socorro, suplicando um olhar de afeto e um gesto de caridade.
 
Talvez você tenha perdido a fé na vida. Talvez você não acredite mais em Deus.
Talvez você não acredite mais nem em você mesmo.
Enquanto há crianças miseráveis que são mais sábias que você, mesmo tendo apenas a sua fé para sobreviver num mundo cruel.
Você diz que Deus é cruel, por deixar isso acontecer. Eu digo que o homem é cruel por ver isso acontecer e não ajudar o seu semelhante, seja criança, adulto, índio, negro, branco, pobre, bandido, prostituta.
A pior crueldade é a do homem, que julga sem saber a real história de alguém, que é descrente mesmo tendo uma vida confortável, que desperdiça mesmo vendo súplicas de pessoas com fome, que trapaça o seu irmão mesmo que ele o ame muito e o tenha ajudado muitas vezes na vida.
 O pior miserável é aquele que tem tudo e não ajuda ninguém.
 O pior miserável é aquele que pensa em si próprio e nada mais.    

 O pior miserável é aquele que acha defeito em si próprio e gasta muito dinheiro para ser a carcaça perfeita, mas não gasta nem cinco minutos para ajudar alguém ou para dar amor dentro da própria casa, quem dirá dar amor a um desconhecido. 



  Por fim, você não precisa abdicar do conforto, da estética, dos bens materiais, do status ou das festas. Você só precisa amar, e então as coisas acontecem, as coisas melhoram - em você e no mundo.
  Não seja apenas uma modelo global, o melhor jogador, o melhor médico, a melhor atriz, o melhor engenheiro, a melhor presidenta. Seja alguém que ficou para a história pelo amor pleno, por mover céus em busca do amor mundial. Seja como Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Nelson Mandela. Não seja exatatamente igual, mas seja você mesmo movendo todo um povo e mudando a realidade de um planeta tão desumano.



                                                          Você é um, mas pode ser todos.

                 





 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

No vão do engano.

                                              
 Quando dei-me conta, estava tentando desvendar os mistérios de uma mulher que, a priori, parecia previsível.
   Com ela obtive as insanidades mais labirínticas que tive direito.
   Achei que fosse temporário e vão.
   Nos olhos, carregava as estrelas distantes e solitárias das noites de outono. Eram brilhantes.
   Na boca, o doce do vinho suave, afrodisíaco, rosa escuro.
   No rosto, a textura de um pêssego.
   No peito, o macio do meu travesseiro.
   Nas mãos, levou com ela o meu coração.
  Mulher de fibra, era corajosa para enfrentar seus próprios medos. Porém, se calava diante do medo que lhe causavam.
  Ela me contou que comigo descobriu o amor. Duvidei naquele tempo.
 Nunca conheci mulher mais calma e serena, eu me sentia noutra dimensão quando saíamos num sábado à tarde. É, ela tinha dessas de andar em lugares arborizados que lhe trouxessem paz. E eu? Simplesmente me deixava levar. Porque ela mandava nessas horas, ela sempre tinha um roteiro em mente.
 Cheguei a jurar de pé junto que se um dia a deixasse, esqueceria dela em questão de dias.
 Já se passaram dois anos.
 Ela chorou quando parti. E por que eu parti? Achei que o nosso santo não batia, que ela era imatura e queria outras aventuras. Sabe que eu até cheguei a pensar que ela nem se importava tanto assim comigo? Pois nunca mais vi mulher como aquela. Do jeito dela era a mais bela. Eu achava que era futilidade, mas não conheci outra no mundo tão de verdade.
  
   

Reminiscência








Sonho à noite no breu dos olhos teus,   
No vago do teu amor,
Que um dia eu tive.
Que a dor se solte,
Porque nem a sorte mais apareceu.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Maluquice Poética

                                                            
   Há tanto tempo não escrevo.
   Parece que perdi a mão.
   Aquilo que chamo de inspiração,
   Tem deixado-me de lado ultimamente.
   Não consigo mais organizar as palavras que surgem aleatoriamente em minha cabeça.
   Elas estão escapando de mim.

   Por exemplo,
   Há poucos minutos eu estava secando o cabelo e refletindo no espelho;
   Sim,
   Eu reflito enquanto os molhados fios demoram a secar.
   E então as palavras impuseram-se desordenadas em minha mente.
   Como há muito não escrevo,
   Larguei o secador e corri para colocar as frases prontas num papel qualquer.

  Estou aqui, tentando escrever.
  Porém apenas saem sílabas vagas que mal completam um verbo.

  EU TENHO MEDO DE PERDER O JEITO COM AS PALAVRAS!

 Olho-me no espelho,
 Digo que me amo,
 Mas não me encontro.

 Parece que eu fugi para as Antilhas,
 E aqui está o meu corpo com um pseudo coração e um pseudo cérebro.
 Acho que são fragmentos de mim.

Em tratando-se de redação,
Eu até que estou levando jeito.
Falo sobre algum assunto recorrente da atualidade,
Organizo as informações prontas
E desenvolvo a solução.

Todavia,
 Perdi o jeito com as palavras do meu coração.
Acho que ficaram enciumadas.
Eu falo isso que é pra tentar tirar o meu da reta e me enganar,
Sem, necessariamente, admitir que ando lúcida demais
Ou que já perdi a lucidez.

Estudo para alcançar a profissão dos sonhos,
E paro de ler os livros do meu profundo interesse.
Que é pra ver se eu tomo jeito e viro gente.
Pois meu desvario descrito num texto mal elaborado são poucos que leem.
Será que escrever livremente me serve para alguma coisa?

Serve para me encontrar.
Ou, quem sabe, me perder mais um pouco.

Eu resolvi retornar a escrever,
Porque iludi-me algumas vezes,
Porque passei por situações difíceis,
Porque troquei de pele e ando mudando de vida;
Vida pessoal, personalizada...
Ok! Admito que estou virada numa metamorfose de personalidade.
Não queria contar.

Por motivos louváveis ou preocupantes, eu voltei a escrever.
Contudo, é isso que você lê:
Os fragmentos que deram para juntar da minha confusão sentiMENTAL.

As palavras estão esgotando-se nesse momento.
Antes que terminem,
Deixo uma mensagem importante:
VIVA UMA VIDA LOUCA, MAS COM LUCIDEZ.

Não entendeu?

Eu até poderia explicar o sentido,
Mas perderia a magia interpretativa da sua intuição SENTImental.

Estou feliz,
Porque aqui não é redação!
Eu desvio,
Fujo da norma padrão,
Fujo do tema proposto.
Eu omito vírgulas,
Excedo pontos
E acrescento palavras do meu dicionário imaginário.

 Portanto,
 Aqui eu sou livre!
 Aqui eu posso tudo.
 Aqui é o meu lugar.

 Estava com saudade da minha maluquice poética.






domingo, 22 de setembro de 2013

Enfrente, em frente.


   Hoje acordei com vontade de não acordar.
   Caí na realidade com vontade de nunca parar de sonhar.
   Eu chorei. Porém queria não chorar.
   Queria o sol, mas é chuva sem parar.
   Queria um sorriso aberto, um abraço e um olhar de afeto. Olhei para o lado, minha irmã estava lá.
   Eu já não sabia se era dia ou se era noite, só queria voltar no tempo. Nem sei se queria levantar.
   Os meus olhos se encheram de lágrimas quando arrumei o café para as crianças e me sentei junto a elas.
   Era num domingo pela manhã, e eu nunca havia feito isso.
  Os tempos mudam, os medos mudam, os sentimentos mudam, as prioridades mudam, a força de vontade é tirada de algum lugar que eu não faço ideia.
  Tudo o que é hoje, queria que nunca fosse.
  E o que foi ontem, queria que tivesse volta ou conserto. Queria que fosse diferente.
  Chega de lamentos de um passado dormente.
 Vivo agora, o meu presente.
  E um inesperado futuro em mente, que desmente, que mente, que eu invente ou sinta, ou esquente, ou experimente, sem que me atente. Apenas tente fazer com que tudo siga em frente.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tua ignomínia.

                                     
    Era como acender as mais lindas e cheirosas velas da paixão e você não estar lá para desnudar o ser do amor sublime. Numa noite fria de inverno, uma das mais gélidas que já senti, tive o vazio da solidão. Eu precisava de você. Talvez nunca precisei tanto. Todavia simplesmente virou as costas e sumiu como numa mágica esvoaçante. 
   Fiquei ali, temendo o dia seguinte que viria - quem sabe fosse decisivo para o futuro dos meus dias. Você nem soube. Não se deu ao luxo. Também tampouco me interessa te contar. Vou contar por quê? Contar para alguém que me abandona no escuro da noite quando eu mais supliquei um abraço de conforto e segurança? Aquele abraço de "boa sorte, meu amor!". Ridículo pensar. 
   Quero que soem os sinos da minha libertação depois de sofrer à toa por um mesquinho sentimento teu, ignomínia tua. Teu eu ferrenho sem escrúpulos, sem pensar em outrem a não ser no teu próprio umbigo.          
    Como podereis haver tanta gente no mundo e, diante desses tantos números, contar apenas nos dedos de uma mão amores sinceros de pessoas que humildemente apenas querem doar? porque receber é consequência. 
    Estou com sono, com vontade de fechar os olhos para a sua incapacidade de ser prestativo. Que preste em outras coisas, pois para mim já deu. Dei todo o meu ser para não receber nem migalhas de atenção. 
    O doce encanto eu guardo numa gaveta nos fundos de uma estante que nunca dou as caras. Que é pra não ter de olhar para o seu amor omitido em tempos de vacas gordas. 
    Hoje descobri que, mesmo caindo no chão como um pássaro fraco que se desequilibra em pleno voo itinerante nas noites escuras dos dias passados, eu pude renascer das cinzas como quem alça voo para o céu azul infinito no raiar dum dia de glória. 
   Sou faiscante no interior do meu corpo, que grita e se transforma em luz de cor anil; sou o meu renascimento; a força que ontem não tive, que é a coragem do meu hoje e a vitória do meu amanhã. 
   Eu estou transmutando luz aos seres ao meu redor, estou doando amor ao próximo, pois o homem só é realmente bom quando ajuda o próximo sem esperar em troca, sem prendê-lo como um camundongo na gaiola, sem desconfiá-lo como se fosse o ser mais mal intencionado perto de ti. 
   Embora ainda haja dor por ver você largar algo tão grandioso como um nada, deixei pra lá, com vista cansada.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Do que não se pode mais esperar


Tão madura que sou, confundi-me na imaturidade dos seres pérfidos ao meu redor. Queria compreender o que era incompreensível: a falta de paciência e compaixão. Tão claro seria pois, achar que por ter paciência com os outros pudesse ser levada com mais leveza e compreensão.
   Em vão.
   Joguei-me por completa na ilusão mais doce do amor juvenil. Vermelho escarlate. Cor do amor. Se é que tem cor.
   Calei-me diante das suas palavras cravadas no meu coração como quem crava uma espada no peito de um dragão. Forte; eu; não.
    Pareceu-me que veio para ficar, desde o dia mais casual que te olhei de longe e disfarcei o meu encantamento numa esquina qualquer, de uma rua que eu não quero mais cruzar meu olhar com o teu.
Perdi meu coração naquele entardecer que nos despedimos e seguimos caminhos opostos.
Por qual motivo é tão difícil vivermos juntos, em paz com o que sentimos um pelo outro? Como se alguma força além do normal arrancasse nossas almas unidas, túrgidas de carinho.
    Deixei-me levar pelos ventos que sopravam ao nosso favor, pelo imã que aproximava magneticamente nossos corpos celestiais. Cheguei tão perto de tocar seu coração no profundo sentimento e fui retirada sem vontade própria de perto de você. Obrigaram-me. Obrigou-me. Obriguei-me.
    Pelo carinho que senti por ti e pela nossa aproximação tão intensa, perdi as forças para escrever qualquer verso que fosse que não estivesse ligado a você. Ainda estou abalada com a crueldade dos dias. Arranca de mim essa dor, acalma o meu desafeto com o teu afeto? Embora você não ouça, estou em carne viva esperando a sua volta. Não, não sei se esperarei.
 

 
 

Brenda Zanchet.

domingo, 5 de maio de 2013

Desejos insaciáveis.


No decorrer da vida me envolvo em braços fortes e protetores em busca de paz às minhas noites obscuras.

Os homens sempre foram, para mim, algo idealizado. Aquele sentimento de liberdade e proteção ao mesmo tempo, o qual eu encontrava em olhares desejosos ao calar da noite.

Falando em calar, nunca gostei muito do silêncio. A confusão em minha mente sempre foi barulhenta o suficiente para fazer-me pirar em mim mesma. É como tomar altas doses de êxtase. Quase uma overdose de sensações.

Quando estou com alguém, a felicidade é limitada. Como uma criança e seu brinquedo preferido que logo lhe enjoa.

Idealizo novamente olhares inalcançáveis, sorrisos distantes, braços que não me abraçam. É desejar ter o que não se tem; e quando conseguir; não querer mais. Compreende?

Preciso da liberdade. Quero ser nômade - sem moradias ou amores fixos. É bom estar em constante loucura física e psíquica.

Talvez por isso a sina por hippies: Viver e fazer o que lhes causa prazer, até se cansar da mesmice, e então tomar outro rumo no dia seguinte.

Não é ser anormal. Talvez alguém se identifique e seja exatamente como eu. Quero pertencer a alguém, mas não desejo apenas os mesmos olhos e o mesmo sorriso, da mesma pessoa.

Tento manter o maior nível de excitação possível no meu interior. E não basta dizer que me ama. Não basta! Gosto do profundo, da loucura do novo e do proibido. Gosto do permitido mas também do temporário, e do imprevisível - No qual não saberei a sensação do amanhã.

Sinto necessidade de um desafio mental, daquilo que me conflitua a alma e os sentimentos. De refletir nos dias solitários de amor e de abraços gelados. Ou melhor, nos dias em que os abraços protetores não existem.

Eu entendo perfeitamente todos aqueles que não se contentam apenas com o prazer e a pessoa que já possuem ao seu lado. Buscar o que não lhe pertence é sempre desafiador e com doses muito mais elevadas de sensações.

Certa vez li em um artigo científico psicanalítico: "A experiência da satisfação inicial seria buscada e não mais encontrada, caracterizando o desejo."

Se eu não desejo o novo, estou estacionada na minha própria vida. E em segundos decisivos para recuperar o fôlego e retornar ao mundo terreno, ao mundo carnal, volto a cometer um pecado capital.

Viajo no tempo olhando o horizonte. Perco-me na  vontade de viver a arte que se desenha em meu corpo extasiado de toques e sensações da gentileza de estranhos.

Sou como aquela flor, dente de leão. Flutuo longe com a brisa forte que me leva à outra liberdade, à outra sensação.


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Obs: Texto não autobiográfico.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Descrevendo o indescritível.


 Fui uma vez no psicólogo e nunca mais voltei...
 Pois queria de mim a explicação exata de todos os meus anseios. A fundo, tentei encontrar uma descrição e um porquê para as minhas paranoias. Mas se soubesse explicar não estava ali.
 O que eu mais soube responder foi "Não Sei". Eu o olhava nos olhos e não me sentia bem. Já sabia que seria em vão. Em vão mais uma vez.
 Sou o complexo da minha alma, da minha massa encefálica e do meu coração. Sinto repulsa de tudo o que é mau e profano; e já me disperso do mundo.
 Sem paciência, sinto-me um extraterrestre na Terra - em busca do lugar do qual vim. Sem solução alguma, escrevo apenas para aliviar o mal estar.
  Nem Freud daria conta de curar-me do meu próprio eu. Sinto que vivi há séculos; e que hoje não estou aqui.
 O que as pessoas têm de mim é apenas o momento que já acabou no segundo que se segue.
 Não sou humano. Sou um coração. Sem qualquer tecido ou proteção ando nu com minhas emoções. Como lesma, tenho respiração cutânea.
 Morro aos poucos e profundamente cada vez que jogam sal ou o ácido de suas línguas perversas na minha pele úmida de emoção.
 Minha sina é amar o próximo. No entanto, me fere a alma em carne viva cada pessoa indigna de tal benevolência.
 Não quero esse carma. Uns dizem que é privilégio - só não sabem que isso está longe de ser um. Há apenas dois resultados do amor puro: Felicidade extrema ou tristeza profunda.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Seringa na mão e um cão à beira da morte.

 Eu estava lá, sendo pressionada por todos. Com a decisão em minhas mãos. Ou eu aliviava o sofrimento do meu cão com o líquido letal ou ele tinha chances de sofrer. Eu disse chan-ces.
 Por que acabar com alguns sofrimentos? Depois tudo passa e ele estará saltitando como um cão normal - eu acho. Sobre a certeza: Não tenho nem da minha vida. Mas nunca vi ninguém mostrar nos olhos que eu era a razão da sua existência como ele me mostrou. E, para ele, nítido em seus olhinhos negros e apertados, eu era única. Pela primeira vez não me senti só. Entretanto, só percebi o quanto ele é único para mim, à beira da morte.
 Com a seringa na mão eu estava sendo pressionada a tomar tal atitude fatal. Senti aquele corpinho trêmulo, quente e macio suplicando-me para o proteger dos males do mundo. Eu estava ali, a ponto de escolher a morte. Já não sabia se a sentença do fim dava-se a mim ou a ele.
 Ele gemia, chorava baixinho de medo, mas não sabia exatamente o que estava sentindo. Pois eu tratava de o acalmar dizendo que era remédio para a sua melhora - nunca vi alguém confiar piamente em mim. Aquilo tudo parecia pesadelo e eu não sabia mais o que fazer. Quem tremia era eu. Igual uma vara verde.
 Junto a ele, desde então, senti que anjos existem, que o amor ainda pode ser verdadeiro e que posso voltar a confiar em alguém. Precisei estar ao lado da morte para enxergar tudo isso. O medo tornara quase que unicamente meu. Seringa na mão, e eu poderia escolher meu corpo ao dele. Não! Eu deveria renascer das cinzas e fazer um novo começo. Nós dois, aliás.
 Seria ele um animal ou um humano? Era Deus, dando-me um recado importante através daqueles olhinhos pequenos. Como eu poderia não ver? Era tão óbvio quanto a razão da existência do meu animalzinho.
  Num rápido jogo de imagens pude ver os momentos nos quais ele mordeu alguém pensando em me proteger. E ele apenas ia, sem fazer perguntas para si, sem exitar. Apenas seguia o seu próprio instinto. Parecia querer me salvar da iminência do perigo. Era meu anjo, e eu só o notei agora. Como pude?
  Lembrei de todos os amores que tive. Pareciam todos em vão. Sentimento e sofrimento em vão. E o meu cão? Ninguém foi homem suficiente comparado ao meu bichinho. meu pequeno anjo daria a vida por mim, sem fazer perguntas. E como não o valorizei antes? Ele sempre estava a minha espera, nem que fosse por  5 minutos do meu dia. O meu sorriso era seu raio de sol. O dia só fazia sentido para ele, quando eu o olhava nos olhos e lhe chamava de "meu lindinho". E eu nunca enxerguei o brilho do seu olhar.
  Aqui, nesse momento, sentindo seu corpinho, descobri que não posso aceitar o pouco: o pouco afeto e a pequena atenção. Sempre que isso acontecer, devo partir sem olhar para trás. Mas, se o amor bater à porta, devo deixar entrar, devo agir por instinto. Então saberei qual brilho no olhar será mais apropriado para irradiar os meus dias.
  Não precisei mais da seringa nem do medo. Nem da decisão. Muito menos, de sofrimento algum. Eu abri os olhos na aurora, vi que não passava de um pesadelo. Todavia, nasci vênus. Sou mulher. Amadureci.
  Vi os primeiros raios de sol entrarem sorrateiramente pela janela. Tive a certeza e o motivo pelo qual nasci. Eu vou lutar para ser a razão da existência de muitas vidas. Sem aceitar o menos, sem fazer o menos, sem querer o pouco.
  Hoje acordei mais forte, e eu quero acreditar que o mundo está em minhas mãos. A seringa é o meu poder de escolha. O meu cão, é a minha vida e também a de todas as pessoas. Posso escolher entre dar uma chance para o sol entrar, ou fazer cinza os meus dias.

terça-feira, 12 de março de 2013

Esses teus olhos tão lindos e profundos, fazem com que eu imagine um dia vê-los de perto. Arriscar um olhar junto ao teu, sem medo de ser engolida por um amor infinito que me tome a vida.



Brenda Zanchet.

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segunda-feira, 11 de março de 2013

Homenagem de um grande amigo.

Hoje, venho deixar aqui uma frase linda que o meu querido amigo criou em minha homenagem.




"Não preciso ficar contigo pra ser feliz, só preciso encontrar alguém exatamente como você." 



Rangel Szczepkowski.


domingo, 3 de março de 2013

Desassossego de um domingo

    Dormir cedo no sábado à noite. Acordar na aurora do domingo e reparar nos primeiros raios que surgem ao céu...
    Nesse momento estou arraigada pelas sensações mais profundas e benevolentes.
   Parece que nasci hoje. Na verdade, volta e meia estou nascendo. Estranho, não?
   Vivo num isomorfismo com outrém por minutos limitados. Parece ser eterno.
    Durmo. Acordo. Durmo. Levito em pensamentos loculados. Não durmo mais.
    Num matiz de imagens posso ver os lábios mais encantadores que já toquei. Imediatamente desvio o pensamento procurando qualquer imagem mais rutilante.
    Que ideia a minha... Pensar em algo que sempre venho a evitar.
    Danço em cima da cama como se o tempo não passasse e como se eu me pertencesse. Não, é como se eu pertencesse ao mundo. Mas não quero isso. Não quando invadem e mexem no meu desassossego.
    Entro num solilóquio com o sofá, como se me ouvisse, sombreado de respostas silenciosas e subentendidas. É o subconsciente bobo que vem me perseguindo, achando que sabe o que é melhor pra mim.
    Nove horas da manhã de um domingo... E o que mais me afeiçoa é um dicionário e uma música ao fundo. Nem café tomei. Meu estômago faz eco dentro dele mesmo, análago ao eco que faz nesse coração vazio de amor.
   Por hora amo, até não pensar mais em amar. Sei que entrei em contradição. Razão é o oposto de emoção. Amo sem pensar, penso sem querer amar. Por que tanto falo essa palavra? Não ouso mais repeti-la na frase seguinte. Preciso mudar o repertório da minha vida. Que tal começar com o verbo transluzir? Quero me elucidar nos reflexos da alma e revelar luz em mim, ao próximo, ao meu dia.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Do morro mais alto

Do morro mais alto, vejo as nuvens brancas contornadas por um azul acinzentado.
No fim da tarde, os últimos raios de sol encobrem as nuvens com um rosinha avermelhado.
É no morro mais alto que percebo o aquietar do coração e o voo deslumbrante dos pássaros na sua perfeita maestria.
Sinto Deus. Sinto que ele existe. Mesmo quando há só um fio de esperança.
Olhando ao longe, da árvore mais alta posso ver a sua copa. As folhas parecem encostar no céu, com recortes estereotipados, dignos de um designer sobrenatural.
O vento leve na superfície da Terra delineia as nuvens mais abstratas no seu infinito. As observo e tenho um forte sentimento. Sinto-me viva. Sinto-me bem.
Dos coqueiros que alcançam o meu olhar, penso em como Deus é perfeito na sua arte de criar. Às vezes reclamo, mas também sou sua obra de arte... É, então, que sinto-me alguém.
Porém, quando, por infortúnio do acaso, ouço a buzina de um carro ecoando ao longe. Sinto que ecoa solidão. Ecoa invasão. Ecoa ingratidão.
E tudo o que eu sinto é que, só sei por qual motivo vim quando olho no abstrato infinito desenhado no céu. No entanto, sinto náuseas ao ver que,  no formigueiro da espécie humana, tão pouco encontro um olhar simbionte ao meu.