segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tua ignomínia.

                                     
    Era como acender as mais lindas e cheirosas velas da paixão e você não estar lá para desnudar o ser do amor sublime. Numa noite fria de inverno, uma das mais gélidas que já senti, tive o vazio da solidão. Eu precisava de você. Talvez nunca precisei tanto. Todavia simplesmente virou as costas e sumiu como numa mágica esvoaçante. 
   Fiquei ali, temendo o dia seguinte que viria - quem sabe fosse decisivo para o futuro dos meus dias. Você nem soube. Não se deu ao luxo. Também tampouco me interessa te contar. Vou contar por quê? Contar para alguém que me abandona no escuro da noite quando eu mais supliquei um abraço de conforto e segurança? Aquele abraço de "boa sorte, meu amor!". Ridículo pensar. 
   Quero que soem os sinos da minha libertação depois de sofrer à toa por um mesquinho sentimento teu, ignomínia tua. Teu eu ferrenho sem escrúpulos, sem pensar em outrem a não ser no teu próprio umbigo.          
    Como podereis haver tanta gente no mundo e, diante desses tantos números, contar apenas nos dedos de uma mão amores sinceros de pessoas que humildemente apenas querem doar? porque receber é consequência. 
    Estou com sono, com vontade de fechar os olhos para a sua incapacidade de ser prestativo. Que preste em outras coisas, pois para mim já deu. Dei todo o meu ser para não receber nem migalhas de atenção. 
    O doce encanto eu guardo numa gaveta nos fundos de uma estante que nunca dou as caras. Que é pra não ter de olhar para o seu amor omitido em tempos de vacas gordas. 
    Hoje descobri que, mesmo caindo no chão como um pássaro fraco que se desequilibra em pleno voo itinerante nas noites escuras dos dias passados, eu pude renascer das cinzas como quem alça voo para o céu azul infinito no raiar dum dia de glória. 
   Sou faiscante no interior do meu corpo, que grita e se transforma em luz de cor anil; sou o meu renascimento; a força que ontem não tive, que é a coragem do meu hoje e a vitória do meu amanhã. 
   Eu estou transmutando luz aos seres ao meu redor, estou doando amor ao próximo, pois o homem só é realmente bom quando ajuda o próximo sem esperar em troca, sem prendê-lo como um camundongo na gaiola, sem desconfiá-lo como se fosse o ser mais mal intencionado perto de ti. 
   Embora ainda haja dor por ver você largar algo tão grandioso como um nada, deixei pra lá, com vista cansada.

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