terça-feira, 15 de abril de 2014

Contos de fadas x histórias de amor




Porque toda menina um dia sonhou com uma história feita de contos de fadas.
Toda menina um dia sonhou ser uma princesa e encontrar seu príncipe.
Toda menina um dia quis ter um castelo, um vestido encantado e um jardim cheio de flores.
Porque toda mulher um dia sonhou receber rosas.
Porque toda mulher um dia sonhou em ouvir um eu te amo do seu amor.
Entre ser menina e ser mulher, essa transição meio mágica e obscura, é também um choque de realidade.
Esperar da janela do seu castelo nunca mais foi a mesma coisa.
A vontade era de se atirar de lá.
Por quê? Porque acontece tanta coisa, tantas decepções e encantos que passam e viram sapos engasgados.
Quem nunca planejou uma vida inteira antes de dormir?
E acordou com o fantasma da traição. Com o fantasma da decepção, do amor não correspondido, e das flores que nunca chegaram,
E a bruxa era aquela que enfeitiçou seu príncipe bem no meio da sua história encantada.
Porque sem bruxa não são contos de fadas. Talvez não exista o felizes para sempre.
Um pouco forte, não?
Não. Isso é real.
Isso até parece soar pessimista.
Ou eu não dormi muito bem essa noite. Talvez três horas de sono bastaram para enxergar a vida como ela é.
Ou você a engole, ou é engolida por ela.
A arte da sedução é cansativa até certo ponto na vida adulta.
E o príncipe não chega.
Não quero dizer que seja perfeito. Mas imperfeitamente perfeito para você.
Esperar virou uma arte.
Virar a página ou rasgar essa página da sua história também pode ser possível.
Se dedicar aos amigos ou à sua profissão já não é uma escolha, é um dever.
Você tinha 15 e, de repente 30...
A cabeça muda, mas os desejos e sonhos ainda são os mesmos, na essência da coisa.
Querer cuidar do próximo virou prioridade.
É como a história da Cinderela, sem o final. E sem alternativa.
E então você decide escolher entre o sapo ou a sua própria companhia.
Porque esperar parece ser insuportável.
Não faça isso.
Amar-se é melhor que amar um bruxo disfarçado de príncipe.
A sua própria companhia pode te supreender, pra melhor. E então o amor vira consequência, complemento, parceria, felicidade.
Você quer um amor, todos querem... Então espere. Que é como esperar na fila de um banco: sempre chega a sua vez.
Contos de fadas, é... Contos de fadas realmente não existem.
Mas existem histórias reais, "contos" de amor dignos de um filme com direito a pipoca e refrigerante. Tem até aquela sua trilha sonora preferida.
Essa é a história da menina que virou mulher, que decidiu sair da janela do seu castelo, viver erros e decepções... E então encontrar seu príncipe que te encanta, mesmo atrapalhado. Que arranque uma flor de uma casa aleatória, que diga eu te amo quando está bêbado, que te pede em casamento e percebe que é uma loucura viver com você. E que te aceita, mesmo louca, mesmo imperfeita, mesmo chata.
Esse é o teu príncipe.
Da vida real.
Então espere. Aceite os sapos, tome a poção da bruxa. Depois tenha seu final feliz.
Porque a vida não é propaganda de margarina. A vida é um terreno baldio, até você torná-la um lindo jardim à sua maneira.



terça-feira, 1 de abril de 2014

Debaixo da lua minguante




Estava desatenta.
Pensava em outro alguém.
Queria uma bebida forte.
Tomava na mesa do bar,
enquanto me olhavam.
Eu encarava, porque achava graça.
De repente quis jogar.
Comecei a partida sem ter estratégia para a chegada.
Fui na direção do meu alvo.
perdi logo no começo,
empatei,
ganhei,
perdi de novo.
Estou aqui, imóvel, confusa...
Sem entender que ponto falhei.
Foi você, o culpado.
Chegou de mansinho, me enganou com sua estratégia
de atenção e prestatividade.
Devorou a tua presa como se fosse a última que restava no mundo.
Agora é hora de virar o jogo, nada de vacilar.
1x0 pro coração.
2x1 pra você.
Parabéns, conseguiu o que queria.
Agora vá embora, por favor?
Suma!
Não costumo perder, não costumo entregar os pontos.
Nada de entregar o coração.
Que coisa estranha é essa? Como se eu dependesse mesmo dessa droga
pra viver. 
Não preciso de ninguém nem de você como amante. Porque amar é 
secundário.
Estou fria como o gelo da Antártida e não há nada que mude a minha tacada final.
Quero um homem, não um menino.
Todavia, por agora quero um uísque com gelo.
As minhas aventuras sempre foram com a minha solidão.
Então, um passo para trás, agora.
Não venha com esse papo romântico e barato, digno de boas gargalhadas.
Como se não soubesse que já ouço há tempos.
Como se não soubesse que já caí nessa há alguns anos.
Não me venha com promessas não cumpridas outra vez.
Esse jogo barato já virou rotina pra você. Só pra você.
Não tenho criatividade para a sua infantilidade mental.
Então digo-te que és meu inferno e meu paraíso... astral.
Infâme foi a noite que não dormi, pensando nos seus beijos, na noite que perdi o jogo pra você.
Sonhei em construir uma vida com você e ao mesmo tempo desejei jogar-te pela janela do décimo quinto andar.
Te odeio e te adoro.
Te quero e te repudio.
Bebo do cálice de vinho mais doce e cuspo no teu copo.
Porque te desejo e não te suporto.
Você é minha calma e meu saco de pancadas.
É meu amigo, meu amante e ao mesmo tempo como o irmão mais irritante.
Venha na calada da noite enquanto eu estiver dormindo e deite do meu lado.
Não me acorde.
Diga que pensa em mim e me beije a testa.
Diga que ficará do meu lado.
Eu não preciso do seu amor, porém necessito da sua amizade.
Senta aqui, te faço um chá e te conto meus planos debaixo da lua minguante 
e te digo que tens o abraço mais confortante.





sábado, 8 de março de 2014

Paz angelical para o grito tácito.


Sonho todas as noites com a melhor noite dos meus sonhos já realizados.
Tento apagar os borrões de palavras obscuras dos meus dias que deveriam ser tão em paz.
Porque conviver não é fácil, às vezes só se quer fugir, ficar só, em lugar nenhum.
Todavia, às vezes quero fugir nos braços de alguém que não pode suprimir tudo isso.
Eu não tenho o que quero ter e tenho o que não quero.
Eu não sei o que quero.
Digo, sentimentalmente.
Digo, quero aquele que não posso quando quero.
Quero descansar no silêncio, à meia-luz, no ombro teu.
Quero encostar minha cabeça no sofá e imaginar pássaros esculpidos em cristais às três da manhã, acompanhada de um perfume amadeirado que cheira a companheirismo e proteção.
Tenho pensado em não pensar tanto.
Tenho aumentado o som da música que me leva à loucura em mim mesma, pra não pensar nem ouvir qualquer coisa que não seja o silêncio que a melodia traz para a minha mente.
Esperar virou rotina.
Esperar nunca foi meu forte.
Esperar o quê? Até quando?
Esperarei até amanhã quando eu acordar cedo para caminhar nas ruas ventiladas pela brisa da manhã.
E depois? Depois eu o encontro para encontrar a minha paz e dizer adeus.
A despedida é rápida, discreta e dolorosa. Talvez mais dolorosa que a falta que irá me fazer quando a busca pela paz não estará mais lá. Irá se apagar. Tudo irá se apagar.
Eu não digo não para o que deveria, me calo para ofensas cravadas até o fim dos meus dias, e digo não para aquilo que seria o meu ponto de equilíbrio e ao mesmo tempo minha incerteza.
Eu sou assim, louca.
Eu sou assim, andarilha dos meus pensamentos.
Quem está aqui agora em mim? Sou duas em uma, como aquele signo mais maluco do zodíaco.
Pensar demais sempre foi minha perseguição mental. Pensar de menos tem sido raro.
Quero me afogar na melodia inebriante e estourar os ouvidos no som da ilusão mental. Cansei. Cansei de pensar demais.
O som do rádio é melhor que a voz daquela pessoa inoportuna opinando na minha vida e dizendo suas asneiras inapropriadas e descabidas, que deveriam ser revertidas para o seu próprio veneno tão barato.
Voltando àquele que me trouxe a paz e ao mesmo tempo a incerteza, quero dizer que sinto muito, queria ficar, queria dormir ali até o fim dos meus dias, queria simplesmente entrar nesse mistério que é a sua vida tão mais interessante.
Aquele sorriso na tarde de sábado deveria sumir dos meus pensamentos. Porque pensar é o que menos quero agora. Nesse desnecessário tão necessário que é esse ser angelical que apareceu nos meus dias fugazes.
Eu não sei o que escrevo, parece que vem da alma, compreende? É uma mistura de indignação, revolta, vontade de gritar e me impor pra quem desarmoniza os meus chacras alinhados para ser uma pessoa melhor. Porque essa pessoa tem muito ainda para crescer em meio a tanta razão irracional. Não, eu não errei, pois é bem isso que digo; ou quero dizer então: a dona da verdade que não se tem.
Eu grito, grito por dentro, matando um leão por dia e querendo esse aquariano bem aqui, comigo. Mas ao mesmo tempo quero que procure um lugar seguro, longe de mim. Não, quero que fique perto.
Parece que gosto disso, do mistério e da incerteza de ter quem tanto me vicia de gestos doces, calados, discretos e em largos espaços de tempo. Que é pra eu ter o desafio mental de não saber se conquistei realmente. O previsível nunca foi pra mim.
E aquele par de olhos exatamente da cor dos meus, até parece feito do mesmo DNA, tem sido a dúvida do destino tão brincalhão com o meu coração indomável.
Eu me acostumei sozinha, mesmo que acompanhada todos os dias com estranhos tão opostos a mim. Mas vendo tanta semelhança em alguém que apareceu há pouco, dá até vontade de ficar, ficar a dois.
Não... Adeus. Ou... Até logo, meu anjo.


 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Intra-Ocular



O tempo passou depressa e hoje estou aqui, crescida. Estou me despedindo do cheiro de mato molhado após a chuva no fim de tarde, do sabiá cantando no pé de bergamoteira, das pombas na laranjeira, do céu azul forte pela manhã e alaranjado ao entardecer, visto da janela da cozinha. Estou me despedindo da jabuticabeira e até das roseiras e daquelas joaninhas coloridas no jardim. Ahhh, tchau beija-flor...
   Quanto tempo eu adiei essa partida? Um, dois, três... quase quatro anos. Todavia, não existe mais a espera - é hora de partir sem olhar para trás.
   Eu nasci nesse lar, há 20 anos, convivi com meus avós - meus segundos pais - eles deixaram esta magia há algum tempo e me deixaram aqui. Agora chegou a hora de recolher a roupa jogada e guardar na mala. Vou juntar as lembranças e guardar no coração.
   Trago comigo aquele olhar doce de criança inocente, o sorriso sincero e o medo do passar do tempo, da escuridão, do silêncio solitário.
   Neste momento as fotos antigas voam com o vento que sopra na janela do meu quarto. A porta se fecha.
   Levo comigo o gosto por fazer as pessoas rirem, a vontade de fazer bem ao próximo e seguirei em busca do que, no fundo, eu sempre quis: aliviar o sofrimento do ser humano para que continue realizando seus sonhos.
   Tenho olhos de menina inocente e dríada, com pensamentos díspares. Sou como um anjo caído do céu, perdido no desejos sapientes ou equivocados que provocam e assombram.
   Corri comigo, me perdi pelo caminho, me quebrei em cacos de vidro e me juntei, formando um cristal reluzente.
   Fui o sorriso de um palhaço e o rascunho da obra das estátuas de Michelangelo.
   Andei pelo deserto do Saara, escalei o Monte Everest e agora atravesso o Oceano Atlântico em busca dos Jardins Suspensos da Babilônia.
   Vou sozinha, vou sem pressa e levo comigo a criança que sempre esteve em mim.
   Se eu tropeçar, me ergo como as muralhas da China. Se eu chorar e quiser voltar, aguentarei firme e serei persistente como um esportista que saiu da unanimidade para o pódium.
   Sinto falta, sinto muito, sinto por ter crescido e perdido a ingenuidade doce que tinha. Agora sou mulher, com meus tropeços e acertos, com a maturidade aflorando e os caminhos mudando.
  Eu cresci e senti o sabor da minha criança interior cada vez menos puro, mas a criança que eu sou estará de alguma maneira dentro de mim, até o fim.

 








Autobiográfico.