terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma atitude basta para uma decisão fatal.



Logo pela manhã bem cedo, faço o meu café forte, o despejo na xícara, sinto o aroma e o tomo "calmamente" ao som de uma melodia um tanto dramática e instigante.
  Os pingos de leite que derramo no café são como a quantidade de esperança que ainda tenho de você.
  Olhar para a escuridão desse líquido fervente é a mesma sensação que tenho e que vejo em sua frente, diante de toda essa situação.
  Uma atitude basta para uma decisão fatal...
   Nosso caminho é como diferentes mosaicos que não se encaixam e seguem em sequências anti-horárias, anunciando vidas opostas de duas pessoas opostas.
   Em flashbacks lembro-me da infância ingênua e do amor puro de criança, e de uma donzela que não perde a sua pureza, não sei por que nem para quê. Porém, a torna diferente de muitas, não pelo fato de não se entregar, mas por  preferir seguir a doçura do coração ao amargo de situações como essa. Talvez seja de um filme que vi há algum tempo.
   Não que isso seja amargo para você. Pois nos prazeres da carne alheia de segunda, é o encontro da sua felicidade. Digo de segunda quando essa pessoa é tão deconhecida para você, perto de nós dois. Aliás, não sei mais quem é mais deconhecido aqui.
   E quando dizem "mais vale a dor de uma verdade do que a alegria de uma mentira" isso é mentira! Todavia, essa dor de hoje tomará seu rumo amanhã.
   Engraçado como é difícil apagar as imagens que se formam rapidamente depois do que você me contou. Como seria difícil esquecer uma fraqueza de uma noite. Talvez nem seja fraqueza.
   Apesar dos pesares, tudo parece um jogo, um jogo sueco. É, você ganhou, ou eu. Parece tão indefinido ou indeterminado, mas é finito.
   E o que eu digo para o meu oponente quando dou o xeque-mate no xadrez? Eu digo: Sinto Muito!
  

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Carta não entregue.

Hoje encontrei uma carta no meio de um caderno velho, na qual escrevi a um amigo há dois anos e nunca entreguei. Reescreverei ela aqui, em homenagem à lembrança daquele rapaz que não vejo mais.


"Sinto falta de você, meu amigo, tão importante em minha vida. É tão raro encontrar alguém com um coração maravilhoso como o seu. Com o abraço que me faz esquecer de tudo ao redor, o sorriso verdadeiro e o carinho inigualável.
    Lembra o dia que você deu todas as suas moedas para aquele morador de rua que estava revirando o lixeiro à procura de comida? Eu senti tanto orgulho de você! Lembra, também, o dia que sentamos na beira da calçada e você jurou ser meu melhor amigo? Por que não cumpriu? Por que partiu e nunca mais deu notícias?
    E aquele beijo que você me deu... Até cheguei a confundir nossa amizade com outro sentimento. Foi apenas confusão, mas inesquecível.
    Ainda sinto o perfume que você usava, um dos meus preferidos. Posso ver nitidamente as imagens de quando saíamos juntos e eu adorava estar ao seu lado. Até me fez furar o dedo para ver se eu estava com diabete. Só você mesmo!
    Lembro-me de que eu não tinha fome e você falava que enquanto estivesse aqui, iria me fazer comer. E hoje eu como, deveras, mas você não está por perto para eu lhe contar.
    A última vez que você veio, apenas te vi na rua, enquanto eu passava de carro. A minha vontade, naquela hora, era de pular do carro imediatamente, te abraçar e dizer tanto. Não foi assim, e você se foi.
    Ainda tem aquela xícara e o cartão que te dei no dia da sua despedida? E aquele último abraço, nunca mais esqueci. Eu juntei todas as forças para não chorar, porém, quando você já não estava por perto eu chorei tanto!
    Não quero acreditar que a nossa amizade se foi desde aquele último abraço. Gosto tanto de ti. Todavia, você se afastou. Ainda que fosse apenas geograficamente, mas você se foi por inteiro.
   O tempo passou e eu deixei de dizer tudo o que deveria ter lhe falado, o tanto que você é importante pra mim. Onde estiver agora, espero que ainda tenha lembranças da nossa amizade. Porque eu, eu sempre o guardei  num canto do coração, e a sua lembrança permanece viva por onde quer que eu vá.
   Talvez seja ironia do destino, coincidência ou algo do gênero, mas a música que você me mostrou uma vez começou a tocar de repente. Foi como retroceder um filme, com cenas inesquecíveis."