quarta-feira, 25 de abril de 2012

Conflito intelectual

  Joana perguntou-se ao ouvir o barulho da chuva: O que é ser quando não se está sendo? 
Sem obter nenhuma resposta imediata, pôs-se a pensar sobre o existir da vida humana.
  Ser racional e emocional são características dignas do Ser homem, hominídeo, humanizado, antropomórfico, tanto faz.
  "A partir do momento que penso, reflito. E ao refletir, duvido. E ao duvidar, entro em colapso. Logo, entro em confusão com o ser, com o meu ser". - pensava Joana.
   A inteligência que me acarreta é difícil de ser compreendida e lapidada. Pois na complexidade dos meus pensamentos, há um misto de tudo, tornando a dúvida e a incerteza aliadas do meu cérebro.
   Pois, não é necessário provar para ninguém qual é o grau de inteligência que possuo. No entanto, ter dificuldade em organizar meu raciocínio crítico, torna-me uma das piores inimigas na hora de colocar à  mesa todo o conhecimento que possuo.
    Pessoas assim, como Joana, como poucas. Sentem-se desafiadas e questionadas diante da dificuldade em mostrar conhecimento. Frisando que não é pelo fato de pouco saber. Ao contrário disso, pelo fato de não ter habilidade em organizar tamanho conhecimento.
    Ser de tal maneira, há suas vantagens e desvantagens. Porém, uma coisa é certa, a sua "hora" chega de surpresa perante os olhos dos outros. Só por isso faz-se entender que o doce tem gosto amargo de começo, mas depois o sabor torna-se eterno, ou pelo menos duradouro. E o eterno doce da vitória é o cheque-mate para chegar ao sucesso, ou seja, só no final é que se revelam as grandes mentes aos olhos dos incrédulos.

Às vezes só há uma música ao longe quebrando o silêncio, rima de um outro verão.


Brenda Zanchet

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diário de um solitário

Há dias não ouço um elogio sobre o meu sorriso.
Tenho andado nas ruas como se estivesse camuflada e congelada. Não vejo mais olhares, não ouço vozes, não distingo pessoas.
Anestesiei-me, desliguei-me. Porém, conectei-me ao som instrumental da minha mais nova música preferida. Costumo dizer que é a música da pureza e de outra palavra que ainda estou procurando para que se encaixe perfeitamente ao que estou sentindo.
Adquiri uma mania, a de olhar para o céu enquanto caminho. Quem sabe os cidadãos que passam por mim acham-me alienada ou com disturbios. Entretanto, há, com certeza, alguém que perceba a doçura do meu olhar e o equilíbrio que trago nos passos.
Resolvi mudar um pouco o que sinto. Tenho buscado inspiração nos seres abióticos da natureza, em pensamentos opostos aos meus, em livros que nunca imaginei apreciar um dia.
Por um tempo prévio ou indeterminado, resolvi encontrar amor no sol, nas constelações que iluminam o meu quarto, deixando as minhas noites mais confortáveis. Então, me recordo do encontro que tive com a lua, amante dos poetas, cúmplice dos casais apaixonados, companheira dos solitários. Como é bom fazer companhia a ela, deitar sob a luz do seu encanto, notar como fica mais bonita ao engordar e

admirá-la por sentir-se bela ao ser chamada de "Lua Cheia".
Chega o fim da noite, a hora que devo me recolher. Volto a lembrar da maneira cruel que fui comigo ao me camuflar para o meu próprio engano na luta contra a paixão.
E antes de fechar meus olhos, decido que amanhã pensarei melhor sobre a minha escolha pela solidão.