sábado, 8 de março de 2014

Paz angelical para o grito tácito.


Sonho todas as noites com a melhor noite dos meus sonhos já realizados.
Tento apagar os borrões de palavras obscuras dos meus dias que deveriam ser tão em paz.
Porque conviver não é fácil, às vezes só se quer fugir, ficar só, em lugar nenhum.
Todavia, às vezes quero fugir nos braços de alguém que não pode suprimir tudo isso.
Eu não tenho o que quero ter e tenho o que não quero.
Eu não sei o que quero.
Digo, sentimentalmente.
Digo, quero aquele que não posso quando quero.
Quero descansar no silêncio, à meia-luz, no ombro teu.
Quero encostar minha cabeça no sofá e imaginar pássaros esculpidos em cristais às três da manhã, acompanhada de um perfume amadeirado que cheira a companheirismo e proteção.
Tenho pensado em não pensar tanto.
Tenho aumentado o som da música que me leva à loucura em mim mesma, pra não pensar nem ouvir qualquer coisa que não seja o silêncio que a melodia traz para a minha mente.
Esperar virou rotina.
Esperar nunca foi meu forte.
Esperar o quê? Até quando?
Esperarei até amanhã quando eu acordar cedo para caminhar nas ruas ventiladas pela brisa da manhã.
E depois? Depois eu o encontro para encontrar a minha paz e dizer adeus.
A despedida é rápida, discreta e dolorosa. Talvez mais dolorosa que a falta que irá me fazer quando a busca pela paz não estará mais lá. Irá se apagar. Tudo irá se apagar.
Eu não digo não para o que deveria, me calo para ofensas cravadas até o fim dos meus dias, e digo não para aquilo que seria o meu ponto de equilíbrio e ao mesmo tempo minha incerteza.
Eu sou assim, louca.
Eu sou assim, andarilha dos meus pensamentos.
Quem está aqui agora em mim? Sou duas em uma, como aquele signo mais maluco do zodíaco.
Pensar demais sempre foi minha perseguição mental. Pensar de menos tem sido raro.
Quero me afogar na melodia inebriante e estourar os ouvidos no som da ilusão mental. Cansei. Cansei de pensar demais.
O som do rádio é melhor que a voz daquela pessoa inoportuna opinando na minha vida e dizendo suas asneiras inapropriadas e descabidas, que deveriam ser revertidas para o seu próprio veneno tão barato.
Voltando àquele que me trouxe a paz e ao mesmo tempo a incerteza, quero dizer que sinto muito, queria ficar, queria dormir ali até o fim dos meus dias, queria simplesmente entrar nesse mistério que é a sua vida tão mais interessante.
Aquele sorriso na tarde de sábado deveria sumir dos meus pensamentos. Porque pensar é o que menos quero agora. Nesse desnecessário tão necessário que é esse ser angelical que apareceu nos meus dias fugazes.
Eu não sei o que escrevo, parece que vem da alma, compreende? É uma mistura de indignação, revolta, vontade de gritar e me impor pra quem desarmoniza os meus chacras alinhados para ser uma pessoa melhor. Porque essa pessoa tem muito ainda para crescer em meio a tanta razão irracional. Não, eu não errei, pois é bem isso que digo; ou quero dizer então: a dona da verdade que não se tem.
Eu grito, grito por dentro, matando um leão por dia e querendo esse aquariano bem aqui, comigo. Mas ao mesmo tempo quero que procure um lugar seguro, longe de mim. Não, quero que fique perto.
Parece que gosto disso, do mistério e da incerteza de ter quem tanto me vicia de gestos doces, calados, discretos e em largos espaços de tempo. Que é pra eu ter o desafio mental de não saber se conquistei realmente. O previsível nunca foi pra mim.
E aquele par de olhos exatamente da cor dos meus, até parece feito do mesmo DNA, tem sido a dúvida do destino tão brincalhão com o meu coração indomável.
Eu me acostumei sozinha, mesmo que acompanhada todos os dias com estranhos tão opostos a mim. Mas vendo tanta semelhança em alguém que apareceu há pouco, dá até vontade de ficar, ficar a dois.
Não... Adeus. Ou... Até logo, meu anjo.