segunda-feira, 25 de novembro de 2013

No vão do engano.

                                              
 Quando dei-me conta, estava tentando desvendar os mistérios de uma mulher que, a priori, parecia previsível.
   Com ela obtive as insanidades mais labirínticas que tive direito.
   Achei que fosse temporário e vão.
   Nos olhos, carregava as estrelas distantes e solitárias das noites de outono. Eram brilhantes.
   Na boca, o doce do vinho suave, afrodisíaco, rosa escuro.
   No rosto, a textura de um pêssego.
   No peito, o macio do meu travesseiro.
   Nas mãos, levou com ela o meu coração.
  Mulher de fibra, era corajosa para enfrentar seus próprios medos. Porém, se calava diante do medo que lhe causavam.
  Ela me contou que comigo descobriu o amor. Duvidei naquele tempo.
 Nunca conheci mulher mais calma e serena, eu me sentia noutra dimensão quando saíamos num sábado à tarde. É, ela tinha dessas de andar em lugares arborizados que lhe trouxessem paz. E eu? Simplesmente me deixava levar. Porque ela mandava nessas horas, ela sempre tinha um roteiro em mente.
 Cheguei a jurar de pé junto que se um dia a deixasse, esqueceria dela em questão de dias.
 Já se passaram dois anos.
 Ela chorou quando parti. E por que eu parti? Achei que o nosso santo não batia, que ela era imatura e queria outras aventuras. Sabe que eu até cheguei a pensar que ela nem se importava tanto assim comigo? Pois nunca mais vi mulher como aquela. Do jeito dela era a mais bela. Eu achava que era futilidade, mas não conheci outra no mundo tão de verdade.
  
   

Reminiscência








Sonho à noite no breu dos olhos teus,   
No vago do teu amor,
Que um dia eu tive.
Que a dor se solte,
Porque nem a sorte mais apareceu.