Tão madura que sou, confundi-me na imaturidade dos seres pérfidos ao meu redor. Queria compreender o que era incompreensível: a falta de paciência e compaixão. Tão claro seria pois, achar que por ter paciência com os outros pudesse ser levada com mais leveza e compreensão.
Em vão.
Joguei-me por completa na ilusão mais doce do amor juvenil. Vermelho escarlate. Cor do amor. Se é que tem cor.
Calei-me diante das suas palavras cravadas no meu coração como quem crava uma espada no peito de um dragão. Forte; eu; não.
Pareceu-me que veio para ficar, desde o dia mais casual que te olhei de longe e disfarcei o meu encantamento numa esquina qualquer, de uma rua que eu não quero mais cruzar meu olhar com o teu.
Perdi meu coração naquele entardecer que nos despedimos e seguimos caminhos opostos.
Por qual motivo é tão difícil vivermos juntos, em paz com o que sentimos um pelo outro? Como se alguma força além do normal arrancasse nossas almas unidas, túrgidas de carinho.
Deixei-me levar pelos ventos que sopravam ao nosso favor, pelo imã que aproximava magneticamente nossos corpos celestiais. Cheguei tão perto de tocar seu coração no profundo sentimento e fui retirada sem vontade própria de perto de você. Obrigaram-me. Obrigou-me. Obriguei-me.
Pelo carinho que senti por ti e pela nossa aproximação tão intensa, perdi as forças para escrever qualquer verso que fosse que não estivesse ligado a você. Ainda estou abalada com a crueldade dos dias. Arranca de mim essa dor, acalma o meu desafeto com o teu afeto? Embora você não ouça, estou em carne viva esperando a sua volta. Não, não sei se esperarei.
Brenda Zanchet.