No decorrer da vida me envolvo em braços fortes e protetores em busca de paz às minhas noites obscuras.
Os homens sempre foram, para mim, algo idealizado. Aquele sentimento de liberdade e proteção ao mesmo tempo, o qual eu encontrava em olhares desejosos ao calar da noite.
Falando em calar, nunca gostei muito do silêncio. A confusão em minha mente sempre foi barulhenta o suficiente para fazer-me pirar em mim mesma. É como tomar altas doses de êxtase. Quase uma overdose de sensações.
Quando estou com alguém, a felicidade é limitada. Como uma criança e seu brinquedo preferido que logo lhe enjoa.
Idealizo novamente olhares inalcançáveis, sorrisos distantes, braços que não me abraçam. É desejar ter o que não se tem; e quando conseguir; não querer mais. Compreende?
Preciso da liberdade. Quero ser nômade - sem moradias ou amores fixos. É bom estar em constante loucura física e psíquica.
Talvez por isso a sina por hippies: Viver e fazer o que lhes causa prazer, até se cansar da mesmice, e então tomar outro rumo no dia seguinte.
Não é ser anormal. Talvez alguém se identifique e seja exatamente como eu. Quero pertencer a alguém, mas não desejo apenas os mesmos olhos e o mesmo sorriso, da mesma pessoa.
Tento manter o maior nível de excitação possível no meu interior. E não basta dizer que me ama. Não basta! Gosto do profundo, da loucura do novo e do proibido. Gosto do permitido mas também do temporário, e do imprevisível - No qual não saberei a sensação do amanhã.
Sinto necessidade de um desafio mental, daquilo que me conflitua a alma e os sentimentos. De refletir nos dias solitários de amor e de abraços gelados. Ou melhor, nos dias em que os abraços protetores não existem.
Eu entendo perfeitamente todos aqueles que não se contentam apenas com o prazer e a pessoa que já possuem ao seu lado. Buscar o que não lhe pertence é sempre desafiador e com doses muito mais elevadas de sensações.
Certa vez li em um artigo científico psicanalítico: "A experiência da satisfação inicial seria buscada e não mais encontrada, caracterizando o desejo."
Se eu não desejo o novo, estou estacionada na minha própria vida. E em segundos decisivos para recuperar o fôlego e retornar ao mundo terreno, ao mundo carnal, volto a cometer um pecado capital.
Viajo no tempo olhando o horizonte. Perco-me na vontade de viver a arte que se desenha em meu corpo extasiado de toques e sensações da gentileza de estranhos.
Sou como aquela flor, dente de leão. Flutuo longe com a brisa forte que me leva à outra liberdade, à outra sensação.
Obs: Texto não autobiográfico.