domingo, 5 de maio de 2013

Desejos insaciáveis.


No decorrer da vida me envolvo em braços fortes e protetores em busca de paz às minhas noites obscuras.

Os homens sempre foram, para mim, algo idealizado. Aquele sentimento de liberdade e proteção ao mesmo tempo, o qual eu encontrava em olhares desejosos ao calar da noite.

Falando em calar, nunca gostei muito do silêncio. A confusão em minha mente sempre foi barulhenta o suficiente para fazer-me pirar em mim mesma. É como tomar altas doses de êxtase. Quase uma overdose de sensações.

Quando estou com alguém, a felicidade é limitada. Como uma criança e seu brinquedo preferido que logo lhe enjoa.

Idealizo novamente olhares inalcançáveis, sorrisos distantes, braços que não me abraçam. É desejar ter o que não se tem; e quando conseguir; não querer mais. Compreende?

Preciso da liberdade. Quero ser nômade - sem moradias ou amores fixos. É bom estar em constante loucura física e psíquica.

Talvez por isso a sina por hippies: Viver e fazer o que lhes causa prazer, até se cansar da mesmice, e então tomar outro rumo no dia seguinte.

Não é ser anormal. Talvez alguém se identifique e seja exatamente como eu. Quero pertencer a alguém, mas não desejo apenas os mesmos olhos e o mesmo sorriso, da mesma pessoa.

Tento manter o maior nível de excitação possível no meu interior. E não basta dizer que me ama. Não basta! Gosto do profundo, da loucura do novo e do proibido. Gosto do permitido mas também do temporário, e do imprevisível - No qual não saberei a sensação do amanhã.

Sinto necessidade de um desafio mental, daquilo que me conflitua a alma e os sentimentos. De refletir nos dias solitários de amor e de abraços gelados. Ou melhor, nos dias em que os abraços protetores não existem.

Eu entendo perfeitamente todos aqueles que não se contentam apenas com o prazer e a pessoa que já possuem ao seu lado. Buscar o que não lhe pertence é sempre desafiador e com doses muito mais elevadas de sensações.

Certa vez li em um artigo científico psicanalítico: "A experiência da satisfação inicial seria buscada e não mais encontrada, caracterizando o desejo."

Se eu não desejo o novo, estou estacionada na minha própria vida. E em segundos decisivos para recuperar o fôlego e retornar ao mundo terreno, ao mundo carnal, volto a cometer um pecado capital.

Viajo no tempo olhando o horizonte. Perco-me na  vontade de viver a arte que se desenha em meu corpo extasiado de toques e sensações da gentileza de estranhos.

Sou como aquela flor, dente de leão. Flutuo longe com a brisa forte que me leva à outra liberdade, à outra sensação.


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Obs: Texto não autobiográfico.