Eu estava lá, sendo pressionada por todos. Com a decisão em minhas mãos. Ou eu aliviava o sofrimento do meu cão com o líquido letal ou ele tinha chances de sofrer. Eu disse chan-ces.
Por que acabar com alguns sofrimentos? Depois tudo passa e ele estará saltitando como um cão normal - eu acho. Sobre a certeza: Não tenho nem da minha vida. Mas nunca vi ninguém mostrar nos olhos que eu era a razão da sua existência como ele me mostrou. E, para ele, nítido em seus olhinhos negros e apertados, eu era única. Pela primeira vez não me senti só. Entretanto, só percebi o quanto ele é único para mim, à beira da morte.
Com a seringa na mão eu estava sendo pressionada a tomar tal atitude fatal. Senti aquele corpinho trêmulo, quente e macio suplicando-me para o proteger dos males do mundo. Eu estava ali, a ponto de escolher a morte. Já não sabia se a sentença do fim dava-se a mim ou a ele.
Ele gemia, chorava baixinho de medo, mas não sabia exatamente o que estava sentindo. Pois eu tratava de o acalmar dizendo que era remédio para a sua melhora - nunca vi alguém confiar piamente em mim. Aquilo tudo parecia pesadelo e eu não sabia mais o que fazer. Quem tremia era eu. Igual uma vara verde.
Junto a ele, desde então, senti que anjos existem, que o amor ainda pode ser verdadeiro e que posso voltar a confiar em alguém. Precisei estar ao lado da morte para enxergar tudo isso. O medo tornara quase que unicamente meu. Seringa na mão, e eu poderia escolher meu corpo ao dele. Não! Eu deveria renascer das cinzas e fazer um novo começo. Nós dois, aliás.
Seria ele um animal ou um humano? Era Deus, dando-me um recado importante através daqueles olhinhos pequenos. Como eu poderia não ver? Era tão óbvio quanto a razão da existência do meu animalzinho.
Num rápido jogo de imagens pude ver os momentos nos quais ele mordeu alguém pensando em me proteger. E ele apenas ia, sem fazer perguntas para si, sem exitar. Apenas seguia o seu próprio instinto. Parecia querer me salvar da iminência do perigo. Era meu anjo, e eu só o notei agora. Como pude?
Lembrei de todos os amores que tive. Pareciam todos em vão. Sentimento e sofrimento em vão. E o meu cão? Ninguém foi homem suficiente comparado ao meu bichinho. meu pequeno anjo daria a vida por mim, sem fazer perguntas. E como não o valorizei antes? Ele sempre estava a minha espera, nem que fosse por 5 minutos do meu dia. O meu sorriso era seu raio de sol. O dia só fazia sentido para ele, quando eu o olhava nos olhos e lhe chamava de "meu lindinho". E eu nunca enxerguei o brilho do seu olhar.
Aqui, nesse momento, sentindo seu corpinho, descobri que não posso aceitar o pouco: o pouco afeto e a pequena atenção. Sempre que isso acontecer, devo partir sem olhar para trás. Mas, se o amor bater à porta, devo deixar entrar, devo agir por instinto. Então saberei qual brilho no olhar será mais apropriado para irradiar os meus dias.
Não precisei mais da seringa nem do medo. Nem da decisão. Muito menos, de sofrimento algum. Eu abri os olhos na aurora, vi que não passava de um pesadelo. Todavia, nasci vênus. Sou mulher. Amadureci.
Vi os primeiros raios de sol entrarem sorrateiramente pela janela. Tive a certeza e o motivo pelo qual nasci. Eu vou lutar para ser a razão da existência de muitas vidas. Sem aceitar o menos, sem fazer o menos, sem querer o pouco.
Hoje acordei mais forte, e eu quero acreditar que o mundo está em minhas mãos. A seringa é o meu poder de escolha. O meu cão, é a minha vida e também a de todas as pessoas. Posso escolher entre dar uma chance para o sol entrar, ou fazer cinza os meus dias.
Por que acabar com alguns sofrimentos? Depois tudo passa e ele estará saltitando como um cão normal - eu acho. Sobre a certeza: Não tenho nem da minha vida. Mas nunca vi ninguém mostrar nos olhos que eu era a razão da sua existência como ele me mostrou. E, para ele, nítido em seus olhinhos negros e apertados, eu era única. Pela primeira vez não me senti só. Entretanto, só percebi o quanto ele é único para mim, à beira da morte.
Com a seringa na mão eu estava sendo pressionada a tomar tal atitude fatal. Senti aquele corpinho trêmulo, quente e macio suplicando-me para o proteger dos males do mundo. Eu estava ali, a ponto de escolher a morte. Já não sabia se a sentença do fim dava-se a mim ou a ele.
Ele gemia, chorava baixinho de medo, mas não sabia exatamente o que estava sentindo. Pois eu tratava de o acalmar dizendo que era remédio para a sua melhora - nunca vi alguém confiar piamente em mim. Aquilo tudo parecia pesadelo e eu não sabia mais o que fazer. Quem tremia era eu. Igual uma vara verde.
Junto a ele, desde então, senti que anjos existem, que o amor ainda pode ser verdadeiro e que posso voltar a confiar em alguém. Precisei estar ao lado da morte para enxergar tudo isso. O medo tornara quase que unicamente meu. Seringa na mão, e eu poderia escolher meu corpo ao dele. Não! Eu deveria renascer das cinzas e fazer um novo começo. Nós dois, aliás.
Seria ele um animal ou um humano? Era Deus, dando-me um recado importante através daqueles olhinhos pequenos. Como eu poderia não ver? Era tão óbvio quanto a razão da existência do meu animalzinho.
Num rápido jogo de imagens pude ver os momentos nos quais ele mordeu alguém pensando em me proteger. E ele apenas ia, sem fazer perguntas para si, sem exitar. Apenas seguia o seu próprio instinto. Parecia querer me salvar da iminência do perigo. Era meu anjo, e eu só o notei agora. Como pude?
Lembrei de todos os amores que tive. Pareciam todos em vão. Sentimento e sofrimento em vão. E o meu cão? Ninguém foi homem suficiente comparado ao meu bichinho. meu pequeno anjo daria a vida por mim, sem fazer perguntas. E como não o valorizei antes? Ele sempre estava a minha espera, nem que fosse por 5 minutos do meu dia. O meu sorriso era seu raio de sol. O dia só fazia sentido para ele, quando eu o olhava nos olhos e lhe chamava de "meu lindinho". E eu nunca enxerguei o brilho do seu olhar.
Aqui, nesse momento, sentindo seu corpinho, descobri que não posso aceitar o pouco: o pouco afeto e a pequena atenção. Sempre que isso acontecer, devo partir sem olhar para trás. Mas, se o amor bater à porta, devo deixar entrar, devo agir por instinto. Então saberei qual brilho no olhar será mais apropriado para irradiar os meus dias.
Não precisei mais da seringa nem do medo. Nem da decisão. Muito menos, de sofrimento algum. Eu abri os olhos na aurora, vi que não passava de um pesadelo. Todavia, nasci vênus. Sou mulher. Amadureci.
Vi os primeiros raios de sol entrarem sorrateiramente pela janela. Tive a certeza e o motivo pelo qual nasci. Eu vou lutar para ser a razão da existência de muitas vidas. Sem aceitar o menos, sem fazer o menos, sem querer o pouco.
Hoje acordei mais forte, e eu quero acreditar que o mundo está em minhas mãos. A seringa é o meu poder de escolha. O meu cão, é a minha vida e também a de todas as pessoas. Posso escolher entre dar uma chance para o sol entrar, ou fazer cinza os meus dias.

